Jornalista, comentarista e blogueiro Moacir Pereira - um dos mais acessados e respeitados do Estado -  (que atua no Grupo RBS-TV) - faz uma análise dos 15 meses do Governo Colombo - Reproduzimos abaixo porque achamos que é uma análise bastante pertinente:

"Governo Colombo: abril com várias crises (15 de abril de 2012) O governador Raimundo Colombo venceu a eleição no primeiro turno por qualidades politicas e a capacidade de costurar um amplo arco de alianças. No diferencial com os concorrentes, consolidou a imagem nestes 15 primeiros meses de governo: o de um politico conciliador, de estilo pacifista e singular capacidade de evitar atritos. Procurou na recente reforma politica corrigir os equívocos do primeiro ano. E o que se vê em abril: crises, problemas, desencontros e abacaxis para descascar.  Adversidades recebidas como herança (salários dos professores), outros impostos por Brasilia(piso do magistério e resolução 72 do Senado) ou que foram criados por assessores. Estes, como o amadorismo na exoneração do delegado Cláudio Monteiro, a precipitada implantação da gestão própria do SC-Saúde e a desastrosa atuação da Secretaria da Justiça sobre a denúncia de celulares usados por detentos em Joinville. A segunda quinzena deve começar quente. O governador define domingo a nova proposta salarial a ser levada ao magistério com a sonhada descompactação. Negociada com o Sinte, será submetida ao magistério na segunda, para aprovação ou rejeição na assembleia geral de terça-feira. Um problema criado em 2011 e este ano pelo MEC, ao fixar os pisos salariais dos professores muito acima da inflação. Os professores merecem melhores salários, estão todos de acordo. Mas as finanças públicas não aguentam aumentos de 20% todo ano. E, terrível paradoxo, no mesmo ano em que a União manda elevar os salários do magistério em 22% dá um tiro mortal na arrecadação catarinense, exigindo do Senado aprovação de alíquota única do ICMS sobre as importações. Queda na receita superior a um bilhão. Fora os prejuízos incalculáveis nos municípios portuários. E os investimentos que serão suspensos. Má fase Na área da segurança ninguém ousa fazer previsões sobre o desfecho da delicada crise. Nesta segunda-feira toma posse o novo diretor do Deic, delegado Akira Sato. É considerado policial competente, e prova disso foi sua designação para atuar na Força Nacional de Segurança. Mas seu conhecimento sobre a realidade estadual é restrita. A conferir que diretrizes vai imprimir na Deic. Isto determinará a eficiência das futuras operações de combate à criminalidade em Santa Catarina. No momento, o que há é desmotivação. O sistema prisional mantido pela Secretaria da Justiça é uma tristeza. Cadê o prometido São Lucas? Nas cadeias, as fugas continuam. E a denúncia de celulares usados pelos presos encontrou omissão ou respostas burlescas da Secretaria da Justiça. Há outras áreas com dificuldades. O SC-Saúde arrasta-se com lamentos desesperados de servidores que não encontram médicos para proteção da saúde. A audiência pública da Assembleia mostrou esta semana que os Sindicatos querem preservar o SC-Saúde. Mas a desistência de número crescente de funcionários que buscam abrigo em outros planos e o descredenciamento de médicos gera dúvidas terríveis e novas incertezas. Na área da saúde, para agravar, a denúncia do Jornal do Almoço da RBS-TV sobre o Hospital do Cepon. Considerado modelo do tratamento do câncer no Brasil, o Cepon vive dias dramáticos. Pacientes recusados por falta de leitos nem voltam para casa. Morrem e vão direto para o cemitério. Outros são transferidos. O pessoal que cuida dos pacientes é excepcional. Mas a falta de recursos provoca sofrimentos incontáveis aos já fragilizados pela doença. Até quando?