Ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, diz que a crise mundial será sentida no Brasil, mas com efeitos colaterais bem menores do que em 2008.

 

Apesar da crise na Europa, alta do dólar e instabilidades brasileiras, como a falta das reformas tributária e trabalhista, o ex-ministro da Fazenda e sócio da Tendências Consultoria, Maílson da Nóbrega, desenhou um cenário positivo para o Brasil, durante a palestra “Fundamentos Econômicos para 2012”no XVI Seminário Anual PAEX – Fundamentos da Empresa Relevante. O evento está sendo organizado pela Fundação Fritz Müller em parceria com a Fundação Dom Cabral. Sem arroubos de otimismo, mas com bastante crença no país, Nóbrega acredita que o Brasil vai ser afetado pela crise mundial, mas com efeitos colaterais menores do que em 2008. Além disso, acredita no crescimento da economia brasileira. “Devemos crescer 2,5%, menos do que foi anunciado, mas ainda assim haverá crescimento.”

Juros

Em sua opinião, a “cruzada santa” do governo contra os juros dificilmente  vai dar o resultado esperado. “A presidente precisa se ocupar dos problemas brasileiros que nos levaram a ter essas taxas de juros, e não no resultado”, avalia. No entanto, mesmo com a redução dos juros tendo começado de forma errada, ele acredita que a Selic deve cair durante o ano e chegar até 8,5%, a menor taxa da história. Porém, isso deve acontecer porque os bancos em geral vão direcionar seus esforços para clientes de menor risco.

Desemprego

O desemprego deve continuar baixo. Há 10 anos, a taxa de desemprego girava em torno de 13%. Hoje, está menor do que 5%, sendo que em alguns municípios não existe desemprego. Esta novidade é positiva, porém, agora o problema é outro: “o Brasil não tem mão-de-obra qualificada para atender as necessidades de crescimento”.

Dólar

Com o câmbio flutuante, Nóbrega diz que é bastante arriscado fazer previsões. Mas, em sua opinião não deve passar de R$ 2,00. Porém, tudo vai depender dos rumos da crise na Grécia. Caso haja uma ruptura da Grécia, com saída do Euro, pode haver uma alta repentina e chegar a R$ 2,50 o dólar. Mas passado o susto, quando as coisas serenarem, a tendência é de que o dólar volte a baixar e ficar em torno de R$ 1,80.

 

Enviado pela Fundação Fritz Müller - Que executa em SC o Programa PAEX - Parceiros para a Excelência