Não foi do jeito que o prefeito Elizeu Mattos queria. Mas a Câmara de Vereadores aprovou ontem, no final da tarde, em sessão extraordinária, o projeto da Reforma Administrativa enviada pelo Executivo à Câmara no final do mês de janeiro.

A aprovação aconteceu com 10 votos a favor (incluindo o voto do vereador Filício, do PP), seis abstenções e dois votos contrários. O presidente da casa, Anilton Freitas (PTB), da base governista, só votaria em caso de empate, o que não aconteceria devido às abstenções.

No final da sessão, o prefeito Elizeu Mattos, bastante decepcionado pelas abstenções, desabafou: \"Abster-se é votar contra. Eu não esperava isso dos vereadores de oposição depois de tantas reuniões, explicações e diálogo. Eu acreditava que aprovariam,  até como voto de confiança à nova administração\", declarou.

Com a aprovação da Reforma Administrativa, foram criados 201 cargos comissionados na estrutura administrativa da Prefeitura, segundo o que publicou hoje o Jornal Correio Lageano (inclusive com chamada de capa).  Para quem pregava redução de gastos - e do número de cargos comissionados - é uma atitude contraditória e inusitada, para dizer o mínimo. Espera-se que com esses 201 comissionados a mais, a administração funcione muito melhor do que a anterior.

Deve ser por isso que seis vereadores da oposição resolveram se abster. Mas, sobre esse comportamento, diríamos:

\"Abster-se é acovardar-se. É lavar as mãos sobre o assunto. É não ter coragem de assumir o SIM e nem de dizer NÃO. Eu aplaudo os que aprovaram. E também aqueles que tiveram coragem de dizer NÃO. Político tem de ter posição, SEMPRE, nada de lavar as mãos. Isso é uma vergonha, como diria o Boris Cassoy.\" 

Loreno Siega - Revista Visão - Foto: Zé Rabelo - Future Vídeo