Na quinta-feira (26/09), membros da comissão parlamentar mista formada para acompanhar a situação das famílias afetadas pelo enchimento irregular do lago da Usina Hidrelétrica Garibaldi realizaram uma visita ao local. O deputado estadual Dirceu Dresch (PT) revela que a situação continua muito tensa. Há mais de 50 dias os agricultores estão acampados próximos do canteiro de obras, na comunidade Nossa Senhora das Graças.

No mês passado, as comportas da barragem da usina foram fechadas sem autorização dos órgãos públicos competentes e um erro no projeto fez com que o nível do lago ultrapassasse a cota prevista, provocando o alagamento de áreas não desapropriadas, plantações, estradas e mata nativa. Mais de mil famílias foram afetadas.

As famílias atingidas criticam a falta de diálogo por parte da empresa Rio Canoas Energia. Além dos alagamentos indevidos, a grande reclamação é o fato de a empresa não ter indenizado pessoas que perderam as terras em que produziam, principalmente arrendatários ou filhos de agricultores. Também são várias as denúncias de agricultores que relatam pressão psicológica por parte da empresa para aceitarem a indenização sem questionar os valores na justiça. “Muitos agricultores estão arrependidos, deprimidos. Perderam terras altamente produtivas para irem parar em barrancos onde é difícil desenvolver a agricultura. Muitos estão sem água, já que os poços ficaram submersos ou contaminados. E quem produzia em terra arrendada ficou sem nada, só com a dívida dos investimentos feitos.”, revelou Dresch.

Os agricultores atingidos também denunciam que o Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado entre a empresa e o Ministério Público Estadual foi feito sem a presença de um representante legal dos atingidos. “Vamos levar essa situação ao procurador-geral de Justiça, Lio Marcos Marin. O Ministério Público deve agir  em prol das famílias atingidas pela barragem. E  não o contrário”, afirmou Dresch.

Agricultores isolados

A ligação entre os municípios está prejudicada. Antes do lago, havia no rio Canoas quatro balsas que faziam a ligação entre Abdon Batista, Cerro Negro e Anita Garibaldi, diminuindo a distância. Os membros da comissão tiveram que atravessar o lago de “bateira” para chegar ao acampamento dos agricultores atingidos. Se fossem por terra, a viagem duraria quase duas horas e haveria o risco de não chegar, devido às péssimas condições da estrada que foi em parte tomada pelo lago. A empresa também não construiu a ponte ligando as duas cidades, como havia se comprometido.

“Fica cada vez mais evidente que a empresa usou de má-fé. Obras prometidas não foram feitas, agricultores foram ludibriados e encheram o lago sem autorização e sem avisar a população. Comunidades estão isoladas e os problemas sociais são imensos”, resumiu Dresch.

 Assessoria de Imprensa do deputado Dirceu Dresch