Pode uma empresa que presta serviços a uma autarquia  pública receber mais de R$ 10 milhões em 11 meses sem qualquer tipo de licitação, apenas com "contratos emergenciais de prestação de serviços"?

Em Lages, pode. 

Pois é exatamente este o combustível para a corrupção que está prestes a ser "escancarada" e "desmascarada" pelos policiais do GAECO. 

A Viaplan, que presta serviços à Semasa, recebeu de janeiro a novembro deste ano um total de R$ 10,2 milhões em contratos "emergenciais" de prestação de serviços (vejam a relação completa abaixo, mês a mês). E foi exatamente essa empresa que entregava sacola com R$ 165 mil em espécie ao motorista do prefeito, na noite da quarta-feira, quando aconteceram as prisões em flagrante. 

Pergunta-se:

- Que serviço tão especial assim faz a Viaplan? Que tipo de privilégio tem essa empresa para receber quase R$ 1 milhão por mês sem licitação?

- A Semasa não poderia montar uma equipe para prestar os mesmos serviços e economizar dinheiro?  Não custaria mais barato? Foram feitos estudos de viabilidade dessa alternativa?

- Se a corrupção na autarquia era assunto recorrente nas conversas pela cidade, por que até hoje nenhum dos 19 vereadores, que recebem para fiscalizar as ações do Executivo, não foram investigar melhor o assunto? Afinal, o que fazem lá na Câmara? Ganham apenas para ficar batendo boca na tribuna?

- Aliás, por que esses vereadores não vão fazer uma visitinha ao pessoal do Observatório Social e perguntar o que está regular e irregular nas compras efetuadas pela Prefeitura, especialmente no setor da Saúde?

 

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Loreno Siega - Revista Visão