O líder do Grupo de Pesquisa, Tecnologia e Modelagem Industrial, do Departamento de Engenharia Ambiental do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), Sílvio Rafaeli Neto, presenciou o processo de testes do equipamento denominado Q-boat com o sensor RiveRay, desenvolvido pela empresa Teledine Instruments, dos Estados Unidos. Tanto o barco como os sensores foram fabricados nos Estados Unidos. O equipamento adquirido pela universidade permite perfilar o rio transversalmente, produzindo um mapa das vazões pontuais e da vazão média.

Também está equipado com um ecobatímetro que possibilita obter a cota de fundo e com isso determinar-se a espessura dos sedimentos depositados sobre seu leito. Nesse processo está envolvida uma equipe com dez pessoas no Laboratório de Hidrologia do curso de Engenharia Ambiental da Udesc de Lages, entre voluntários, bolsistas e alunos de mestrado e doutorado. A Defesa Civil de Lages auxilia o CAV fornecendo a estrutura de viaturas e deslocamentos. “Temos debatido muito o assunto dos desastres por inundações em nossa cidade, procurando viabilizar os estudos que apontem soluções”, diz Silvio.

Inovação

O sensor de vazão é bem conhecido dos hidrometristas. “A novidade está no barco que pode ser controlado remotamente. Isso elimina uma série de problemas nas operações de campo e confere grande produtividade com redução expressiva de custos. No momento este é o primeiro exemplar do conjunto no Brasil. Estamos inovando neste sentido”, pontua o professor. As vantagens é que se poderão realizar medições de vazões e mapear o leito dos rios de forma rápida, segura e confiável, com custo menor.

Os métodos tradicionais com uso de molinetes mecânicos ou acústicos exigem a logística de equipes e veículos. Também demandam cabos transpassados no rio, o que pode ser perigoso. Em situações de enchentes o risco com as embarcações aumenta. “Com o Q-boat o operador pode ficar seguro na margem do rio controlando o sistema”, explica.

Semana de testes

Os testes ocorreram na quinta-feira (19), inicialmente com os de pilotagem, no parque Jonas Ramos (Tanque). Após foram realizados os de medição de vazões e de batimetria (mapeamento do fundo do rio) no Caveiras e na Estação Caveiras Jusante. Na sexta-feira (20) foram efetivados os mesmos testes no rio Canoas, que apresenta condições diferentes das do Caveiras. A medição da vazão é realizada por pulsos ultrassônicos dirigidos para baixo, enquanto o barco é conduzido transversalmente à direção do fluxo da água.

Sílvio Rafaeli Neto diz que tomou conhecimento desse aparelho por vídeos na internet por não haver similar no Brasil. Nos Estados Unidos o valor de mercado gira em torno de U$ 53 mil. No Brasil, cerca de R$ 500 mil, conforme o professor. “Foi um excelente investimento da Udesc através da Finep. Os resultados dos testes de campo foram surpreendentes”, comemora. O próximo passo é colocar o aparelho em operação, medindo vazões dos rios. O objetivo é priorizar os rios urbanos de Lages.

 

Informações Secretaria de Comunicação Prefeitura de Lages