No domingo, 17 de abril, os brasileiros pararam diante da televisão para assistir ao vivo a famosa Sessão Extraordinária da Câmara Federal que votou o impeachment da Presidente Dilma Rousseff. Aquele dia, e aquela sessão, com certeza ficará na nossa memória por muito tempo. Principalmente pelos vários absurdos que aconteceram antes e durante a votação, envergonhando o povo brasileiro. Vamos aos fatos:

1) Deputados trabalhando às sextas, sábados e no domingo – até de madrugada. Havia necessidade de tanta “dedicação” e pressa por parte dos nobres parlamentares? Afinal, todos sabem que normalmente eles só trabalham às terças, quartas e quintas.

2) O impeachment da Dilma Rousseff foi aceito, debatido, com relatório pronto e votado na comissão e no plenário num tempo recorde (pouco mais de três meses, incluindo aí o feriado dos parlamentares do final e começo do ano).

3) Já o impeachment do Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, está tramitando há mais de 6 meses e nunca é colocado em plenário para votação. Por que será?

4) O comportamento dos deputados durante a fatídica votação foi de causar espanto: em bando, circulando pelo plenário parecendo baratas tontas, gesticulando e portando placas, fazendo torcida e cantando músicas de deboche para seus oponentes... (uma turma de adolescentes teria melhor comportamento, com certeza).

5) O Santo nome de Deus foi usado centenas de vezes em vão. Todos pediam a bênção de Deus, falavam em nome de Jesus e pareciam estar num culto e não num parlamento político (há uma grande bancada de Evangélicos e de integrantes de outras igrejas na Câmara – E provavelmente queriam fazer “média” com seus fiéis).

6) Uma boa parte homenageou os pais, filhos, amigos, cônjuges, suas cidades e estados (e provavelmente até as amantes) antes de proferirem o voto (ao invés de justificar os reais motivos pelo que estavam ali votando);

7) Um deles chegou a homenagear um torturador do tempo da Ditadura Militar (e levou uma cusparada na cara de outro deputado – coisa feia);

8) Uma deputada do PSD disse que votava contra a corrupção – E dizia que era perfeitamente possível acabar com isso já que na sua cidade, Montes Claros (MG), o seu esposo era prefeito e não havia corrupção por lá. No final, dando pulinhos, gritou “sim, sim, sim”... No dia seguinte, a Polícia Federal foi lá prender o famoso maridão prefeito por desvios de recursos da saúde para o hospital da família.

Capítulo à parte foram os 47 deputados que debocharam do Presidente da Câmara, Eduardo Cunha. “Você envergonha o parlamento”, disse um deles. “Você é um gângster”, disse o outro. “Quem devia estar sofrendo impeachment seria você, Sr. Presidente!”, vociferava outro. “O senhor é um bandido, ladrão...”, falava outro. E por aí afora. Cunha, impávido, fazia de conta que não era nada com ele.

 

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