Seria utópico desejar, nos dias atuais, uma Festa do Pinhão 100% regionalista, calcada nas suas tradições. Isso por que os tempos mudam e com ele os costumes se transformam. Mas por que outra festa, a maior da cultura alemã no Brasil, é tão rica em cultura e tradicional aos seus costumes? Fica a pergunta.

A Festa do Pinhão deu seus primeiros passos na década de 1970, com o precursor do evento, o então coordenador de turismo Aracy Paim. A ideia inicial sempre fora de realizar um encontro entre tradicionalistas, onde predominassem os pratos típicos (paçoca de pinhão e entrevero) e bebidas quentes, como o quentão. Já as atrações eram nativistas, ou até mesmo bailes, além de torneio de laço, concursos, trovas e missa campeira.

É reconhecido o esforço de manter a cultura regional no evento, seja por meio das Sapecadas, a realização do Recanto do Pinhão (onde tudo começou) e até mesmo em pequenos redutos tradicionalistas como o Palco Nativista e o Recanto da Tradição. Porém, observe como estes elementos se tornaram coadjuvantes em um evento de tal magnitude.

Num ano em que Lages completa 250 anos, pouco se falou sobre a fundação do município e sua história. A lembrança ficou apenas no selo do aniversário. Os espaços e pavilhões dentro da festa também podem ser mais bem aproveitados, com cultura, não com comércio ou marcas estrangeiras. Não elitizar as atrações e espaços é outro ponto a ser discutido, a festa precisa ser democrática, mas até que ponto se privilegia um público, em detrimento financeiro, e se esquece de outro.

Não há deméritos para atual conjuntura da Festa Nacional do Pinhão, tendo em vista os grandes investimentos feitos nos últimos anos. Entretanto, como tudo na vida, há momentos para evoluir, como também há momentos para se lembrar das origens, neste caso, de onde vem o evento.

Relatos por aí de lageanos que não vão ao evento há anos, tem aos montes. Os motivos são diversos: valor dos ingressos, alimentos e bebidas com valor elevado, pratos típicos mais industriais do que típicos etc. Então, se o desejo é ser grande e nacional de fato – não por suas atrações –, consequentemente atraindo pessoas do Brasil inteiro (por que são as pessoas que fazem o evento e não os shows nacionais), é preciso lembrar-se de como tudo começou.

 

Vinicius Prado - Revista Visão