Uma pauta extensa, assuntos relevantes e cada setor puxando a brasa para o seu assado. Este era o palco no Ministério da Agricultura, onde o Fórum Parlamentar Catarinense levou ao ministro Blairo Maggi dez temas, entre eles as crises do milho e das licenças para barcos pesqueiros. Em meio à confusão de vozes, o deputado Gabriel Ribeiro (PSD) levantou o dedo e pediu a Maggi uma boa notícia para os produtores de maçã. “Pode ficar tranquilo, deputado, a maçã da China não vem”, respondeu o ministro.

A forma e a declaração até serviram para desanuviar o ambiente carregado. Mais do que isso, tranquiliza os pomicultores, que desde outubro do ano passado pressionavam o governo federal, que estava à beira de importar a fruta chinesa. Gabriel Ribeiro ainda insistiu e quis saber se era algo definitivo ou se a decisão poderia ser revertida. A maçã está fora da pauta de negociações, complementou o secretário de Defesa Agrícola, Luís Eduardo Rangel, que acompanhou o ministro na viagem à China onde o assunto foi tratado.

No dia 6 de outubro do ano passado, pomicultores dos três Estados do Sul, mas principalmente da Serra Catarinense, promoveram um movimento forte em Brasília em busca do apoio da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados e de pressão sobre o Ministério da Agricultura.

Na época, a então ministra Kátia Abreu já havia declarado que todos querem vender para a China. Então seria natural comprar os produtores do país asiático. Na visão do governo federal, o impacto da importação da maçã chinesa para o agronegócio brasileiro seria mínimo. Já os pomicultores argumentaram que, apesar de pequeno para o país, seria algo desastroso para as regiões da Serra e do Meio-Oeste de Santa Catarinense, pois a produção se concentra em São Joaquim e em Fraiburgo. O restante da produção é no Rio Grande do Sul (45%) e no Paraná (5%).

Os produtores de maçã não pediam reserva de mercado, mas que, se o produto chinês fosse importado, que o governo brasileiro fizesse as mesmas exigências fitossanitárias aos asiáticos. É que o Brasil é considerado livre da doença Cydia pomonella, erradicada do Brasil em 2014. Já o produto chinês tem essa praga e poderia contaminar os pomares brasileiros.

Em dezembro do ano passado, os pomicultores receberam uma notícia ainda parcial. Que a importação de maçã chinesa ficaria em banho-maria por uns três meses, mas depois o assunto voltaria à pauta. Na época, a maçã era a primeira fruta da pauta de exportações da China para o Brasil. Com o adiamento, a maçã foi substituída pela pêra. No entanto, técnico alertam que a pêra apresenta as mesmas doenças da maçã.

PRODUÇÃO

- O Brasil produz 1,3 milhão de toneladas de maçã por ano, sendo 50% em Santa Catarina.

- No Estado são 2,4 mil produtores da fruta, que cultivam principalmente os tipos gala e fuji.

- SC e RS produzem 95% da maçã nacional, sendo apenas 10% exportados, especialmente a países europeus.

EMPREGOS NACIONAIS

- Diretos: 58,5 mil

- Indiretos: 136,5 mil

Informações e fotos: Tarcisio Poglia - Assess. de Imprensa do deputado Gabriel Ribeiro