A classe política, no Brasil, nunca esteve tão desacreditada. Pudera! Todos os dias, nos noticiários, somos massacrados com informações sobre maracutaias, falcatruas, desvios de recursos, superfaturamento em obras, improbidade administrativa, “jeitinhos”, contratação irregular de parentes e amigos – e por aí afora. Não bastasse, o que ainda se vê, regra geral, são os políticos se “locupletando” com o dinheiro dos nossos impostos – seus salários em geral são muito bons. Sem falar nas regalias como diárias para viagens (na maioria das vezes desnecessárias), motorista particular, auxílio moradia, assessores aos montes, celulares, verba de gabinete e por aí afora.

Ainda há políticos que trocam mais de partido do que de camisa. E a grande maioria não tem a mínima qualificação para exercer os cargos que ocupam. Para qualquer outra profissão do mundo que requeira um atendimento especializado, a pessoa é obrigada a estudar anos e anos e se preparar muito bem. E só depois recebe um diploma e pode exercer a profissão. Na política, cujos integrantes têm o poder de decidir sobre a vida ou a morte (numa fila do SUS, por exemplo) – não se exige nenhuma formação específica. Então, elegem-se para cargos importantes como deputados, senadores, prefeitos, vereadores e até presidentes, pessoas que por não terem o devido preparo, vão lá fazer “fiasco” e empobrecer a classe.

Vocês viram o festival de barbaridades que os deputados fizeram numa única sessão onde votaram pelo impedimento da Presidente Dilma Rousseff, no fatídico dia 17 de abril? Desrespeito com os colegas foi o que mais se viu e se ouviu em rede nacional. Ironias, piadinhas, gestos obscenos, vaias, torcida organizada e até, pasmem, o uso do santo nome de Deus em vão por inúmeras oportunidades. Cadê a educação dessa gente? Cadê o respeito para com os seus pares políticos que pensam diferente? Cadê o respeito com o povo brasileiro, que a tudo assistia pela televisão?

Em face da grande safadeza de boa parte de nossos políticos, infelizmente, o povo começa a dizer que tem de colocar todos na cadeia e não votar em mais ninguém. Outros sustentam que precisa voltar com urgência a ditadura militar e fechar o Congresso. Besteira. Errado. Nada mais irracional. Afinal, existe alguma saída fora da política? Alguma solução? Se com a política, a tentativa da busca do bem comum, já é difícil. Imagina sem a política! O que seria dos mais fracos? Dos que não tem o mínimo poder econômico e intelectual? Teríamos, literalmente, o governo dos que podem mais.

Nós temos os representantes políticos que colocamos lá. Afinal, o que se viu naquele domingo no Parlamento não é nem um pouco diferente do que se observa todos os dias nas redes sociais: pessoas se xingando, desfazendo amizades, se massacrando por diferenças políticas, religiosas, de gênero, esportivas ou qualquer outra. Enquanto boa parte de nossos eleitores votarem em pessoas despreparadas, sem moral e sem escrúpulos, teremos sim essa classe política que deixa a desejar. Enquanto votarmos no mais famoso, no representante da igreja tal, do sindicato tal, do movimento tal, no mais bonito fisicamente, naquele que fala com maior fluência, mas que é um patife, no torturador e num monte de “tralhas”, será impossível construir um país mais justo, honesto, rico e democrático.

Infelizmente, ou felizmente, não há solução fora da política, das leis e da democracia. E se o Congresso Brasileiro teve a ousadia e a coragem de tomar uma decisão política e cassar o mandato de uma mulher eleita democraticamente e que para uma boa parte do povo brasileiro (inclusive advogados e juristas) não cometeu crime algum de responsabilidade – a Presidente afastada Dilma Rousseff – que tenha agora a grandeza de cassar e exigir a punição de tantos outros corruptos que estão e ficaram lá dentro ou fora do Parlamento. Quando vão cassar o Eduardo Cunha? A Operação Lava Jato vai continuar? Quem será capaz de julgar as decisões do STF? De um juiz federal que mostrou por diversas vezes ser parcial em seu trabalho e decisões? Os que ficaram e que assumiram o poder são mais honestos?

São perguntas que nos ficam destes lamentáveis episódios. E que só o tempo dará as verdadeiras respostas. Como disse o corrupto do Eduardo Cunha, antes de votar o seu “sim” pelo impeachment da Presidente Dilma: “Deus tenha piedade do povo brasileiro”.

Loreno Siega - Diretor de Redação - Revista Visão