Santa Catarina e Rio Grande do Sul se mobilizam e unem forças para a legalização do queijo artesanal serrano, produto que remonta ao século 18 e que é elaborado com as mesmas características na Serra dos dois Estados. A cidade de Bom Jesus (RS) sediou simpósio que discutiu a elaboração e o processo de legalização do produto.

Autor do projeto de legalização do queijo serrano em Santa Catarina, o deputado Gabriel Ribeiro (PSD) participou do evento. Na sua exposição, declarou que a mudança na lei vai tirar o queijeiro da marginalidade. “Hoje, o produtor é visto como um bandido, pois se for flagrado vendendo o queijo terá o produto apreendido e incinerado”.

O queijo serrano é um dos queijos artesanais mais antigos do Brasil. Durante o período conhecido como tropeirismo, mulas transportavam o produto em bruacas. Com a venda do queijo, os produtores compravam açúcar, café, sal, arroz, arame, tecidos e utensílios domésticos.

Na região de Lages, duas mil famílias produzem este queijo, feito a partir de leite cru. Como o gado se alimenta em campos nativos, o queijo serrano adquire características peculiares. O agrônomo e pesquisador da Epagri/Lages Ulisses de Arruda Córdova afirma que 71% dessas famílias produzem queijo o ano todo e que, para a metade delas, o produto é a principal fonte de renda.

O projeto de lei elaborado por Gabriel Ribeiro foi aprovado na Comissão de Justiça e tramita na Comissão de Economia, Ciência, Tecnologia, Minas e Energia da Alesc. A proposta prevê, entre as exigências sanitárias, que o leite seja proveniente de rebanho sadio, sem sinais de doenças infectocontagiosas; que a produção seja iniciada em até duas horas após o começo da ordenha; o leite não poderá ser pasteurizado; a cura do queijo deverá ser em temperatura ambiente, sobre prateleira de madeira de araucária e sem pintura.

A proposta parlamentar ainda trata das instalações das queijarias, da qualidade da água, da embalagem, transporte e fiscalização.

Tarcísio Poglia - Assess. de Imprensa deputado Gabriel Ribeiro