COMO CIDADÃO BRASILEIRO – E ELEITOR DE DILMA ROUSSEFF – ME SINTO TRISTE E INDIGNADO

Neste 31 de agosto de 2016, depois de nove meses de “sangria desatada no Congresso (Senado e Câmara)” – e de quase dois anos de não aceitação do resultado das urnas por parte das forças políticas derrotadas nas eleições presidenciais de 2014, a Presidente Dilma Vana Rousseff, do PT, sofreu  o “impeachment” (impedimento).

E, como bem ilustrou o jornal The New York Times há poucos dias, quem votou a favor do impeachment, em sua grande maioria, foram  políticos desonestos, corruptos, com nome e histórico de crimes, corrupção e safadezas mil. Do outro lado – uma mulher que pode ter todos os defeitos do mundo (atrapalhada, talvez até intransigente demais, etc) – mas que de desonesta e de corrupta não tem nada. Serão os ratos a “assaltar” o poder, literalmente (como na charge do Times). 

Entendo que o PT – e o Governo Dilma – tiveram muitos erros e equívocos. E que, com isso, permitiram que os “ratos” pudessem dar o golpe. O maior dos ratos, indiscutivelmente, é o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Com tanto dinheiro que roubou, conseguiu dar "ajudinhas" financeiras  para a campanha de pelo menos 200 deputados (que agora lhe devem favor – e que provavelmente lhe pouparão o mandato de deputado).

 

Por outro lado, a crise econômica internacional também contribuiu para o aprofundamento da crise econômica do Brasil. Sem falar na “sangria” e perseguição política promovida  no Congresso desde janeiro de 2015 pelos partidos derrotados (principalmente o PSDB), que praticamente inviabilizaram a Dilma qualquer tentativa de governar e fazer as reformas que o país tanto necessitava no seu novo mandato.

Sai Dilma, assume Temer 

Tiraram do poder a  Presidenta Dilma para confirmar no seu lugar o  Michel Temer (vice de Dilma, que conspirou e traiu sua companheira de chapa). Tiraram  do poder o PT (que, repito, cometeu erros mas também fez muitas coisas positivas para o Brasil e os brasileiros). E agora confirmaram no lugar do PT o  PMDB,  do Temer, do Eliseu Padilha, do Moreira Franco, do Romero Jucá..... Em termos de roubos e corrupção, qual dos dois partidos é mais corrupto? Quem é mais honesto(a)? Dilma ou Temer? Deixo a resposta com vocês....

Eu não teria dúvida alguma em apoiar o impeachment se a Presidente tivesse cometido de fato CRIME DE RESPONSABILIDADE. Mas os argumentos dos que a acusaram e a julgaram foram  absurdamente pífios, fracos, inconsistentes, subjetivos... Até seus acusadores foram considerados "suspeitos" pelo presidente do STF, que presidiu  o impeachment no Senado.

"Conjunto da obra"

O que pesou mais na decisão foi  “o conjunto da obra”, segundo muitos deputados. Mas, a Constituição não permite que se faça impeachment pelo “conjunto da obra”. Só as urnas podem destituir um Presidente pelo conjunto da obra.  Há de haver crime de responsabilidade inegável, inequívoco, comprovado, o que não é o caso (o que fizeram foi um simulacro de julgamento - para tudo parecer "constitucional" e dentro dos "conformes"). Aqueles intermináveis discursos, falatórios, depoimentos.... foi tudo em vão. Na verdade, a decisão POLÍTICA já estava tomada lá no dia 16 de março (aquele fatídico domingo da vergonha nacional, na Câmara dos Deputados). 

Então, com esse impeachment que Dilma sofreu, jogaram  na lata do lixo os 54 milhões de votos que ela conquistou legitimamente nas urnas em 2014. E colocaram por dois anos no poder do país um conjunto de políticos que jamais chegariam  à vitória eleitoral pelo poder pelo voto das urnas. São golpistas, usurpadores, traidores..... Querem (e conseguiram) o poder a qualquer custo (sem votos). Querem enfraquecer e fazer cair no esquecimento a Operação Lava Jato (e as investigações dos vários envolvidos, do PT, do PMDB, do PSDB, do PP e por aí afora). O tempo, agora, dirá o que de fato estavam buscando. 

Os verdadeiros motivos 

Como corajosamente defendeu o senador Roberto Requião, um paranaense do qual tenho o maior orgulho (do PMDB, por sinal), querem devolver o Brasil ao grande capital. Querem fragilizar os direitos conquistados a duras penas pelos trabalhadores, em dezenas de anos de lutas. Querem privatizar as estatais. E deixar o Estado praticamente à míngua. Querem (e vão conseguir) acabar com o Mais Médicos, com o Minha Casa, Minha Vida, com o Brasil Sem Fronteiras, com o Bolsa Família, com a jornada de trabalho de 44 horas, com a aposentadoria aos 35 anos de trabalho, com o crescimento real do Salário Mínimo... com as Universidades Federais e seus regimes de cotas, com as milhares de escolas técnicas, com o Estado para quem mais dele precisa. 

O impeachment vai custar ao Governo Temer R$ 50 bilhões (em favores que fez e está fazendo a deputados e senadores que votaram a favor da destituição da Presidente Dilma). Tanto é verdade que Dilma tinha feito um orçamento que apontava R$ 96 bilhões de déficit para o ano de 2016 no Brasil. E Temer mandou refazer os cálculos. E aprovou um déficit de R$ 170 bilhões. A diferença, não se enganem, é para pagar os congressistas que o colocaram no poder ilegitimamente.

Dia da Vergonha Internacional 

Neste dia da vergonha nacional (e internacional), estou triste, indignado, chateado e profundamente chocado com essa situação. Dilma Rousseff, a primeira mulher na história a chegar à Presidência,  não merecia esse castigo. A democracia não merecia e não merece os homens que hoje são confirmados no poder (porque mulheres e negros nem colocaram). Lula da Silva, Dilma e o PT – reconhecendo que houve erros e alguns integrantes que nos envergonharam com suas atitudes – fizeram muito mais bem do que mal ao país. Os que erraram, do PT, foram e estão sendo punidos. E os demais, dos outros partidos? O que será feito de Eduardo Cunha? As denúncias de propina doadas a Aécio Neves, José Serra, Renan Calheiros   e Michel Temer serão investigadas?

Será que os brasileiros dignos e decentes – que foram às ruas e praças pintados de verde e amarelo – indignados com a corrupção – terão coragem de empunhar bandeiras pelos governantes que lá estarão até 2018? Temer (o traidor), terá coragem de sair em público defender suas realizações e seu governo? Por que será que, ao contrário de 1992 (quando Collor sofreu impeachment e houve grande festa e comemoração popular) ninguém ou pouquíssimas pessoas tiveram coragem de comemorar o impeachment da Dilma nas ruas e praças do Brasil? Que Brasil nos espera a partir de agora?

Como brasileiro que sou – trabalhador – digno e honesto (aprendi isso com meus pais), farei minha parte. Continuarei lutando para dar dignidade à minha família e honrar com os princípios que me norteiam. E continuarei amando muito o Brasil, suas belezas naturais, seu povo sofrido e nossas várias e muitas potencialidades e riquezas. Não vou arredar o pé. E estarei vigilante, mais crítico do que nunca.

Loreno Siega – Jornalista e Cidadão Brasileiro