O fortalecimento e a elevação da competitividade da indústria da Serra catarinense no médio e longo prazos passam por sete fatores estruturantes: capital humano, infraestrutura, inovação e empreendedorismo, internacionalização, investimento e política pública, mercado e saúde e segurança. Eles foram definidos pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) em conjunto com lideranças da região e compõem a Agenda de Desenvolvimento da Indústria Regional, lançada em Lages na noite desta quinta-feira (15). A iniciativa tem o objetivo de construir agenda única com os principais pleitos e demandas do setor, priorizados em cada uma das seis mesorregiões catarinenses.

O presidente da FIESC, Glauco José Côrte, lembra que Santa Catarina tem o parque industrial mais diversificado do País e, mesmo em períodos difíceis, tem se mantido forte e atuante. Em 2016 o Estado é o segundo em geração de empregos industriais no Brasil e apresenta a menor taxa de desemprego. “Os resultados obtidos derivam da força da indústria em todas as regiões do Estado”, afirma Côrte. “O comportamento observado em Santa Catarina em períodos desafiadores, como o atual, comprova que podemos ir mais longe e evoluir ainda mais. É necessário agir, sob óticas distintas, pois as potencialidades e necessidades regionais são específicas, mas com uma mesma visão de futuro”, acrescenta. “O desenvolvimento de Santa Catarina como um todo passa pelo fortalecimento das regiões”, completa.

“Com a agenda tornaremos real a visão do futuro que almejamos e merecemos. O desenvolvimento do Estado depende do engajamento dos agentes locais em uma agenda compartilhada”, afirmou o vice-presidente da FIESC para a Serra, Israel José Marcon.

Com a agenda regional, a FIESC inicia a fase do Masterplan, previsto no Programa de Desenvolvimento Industrial Catarinense (PDIC 2022). Por meio do PDIC, 1,7 mil lideranças industriais, especialistas, governo e terceiro setor identificaram os 16 setores industriais com maior potencial de longo prazo e elaboraram rotas estratégicas para o desenvolvimento setorial.

No encontro desta quinta-feira, o diretor de desenvolvimento institucional e industrial da FIESC, Carlos Henrique Ramos Fonseca, fez um panorama da economia da região e destacou que a Serra exporta para 90 países – entre eles estão Estados Unidos, Argentina, Alemanha, Reino Unido e México. De 2006 a 2014, a evolução do número de novos estabelecimentos na região ficou abaixo da média catarinense. Contudo, o emprego cresceu acima da média do Estado. “As empresas já instaladas na região contribuíram muito para a evolução do emprego. Mas temos o desafio de transformar e criar um ambiente propício ao empreendedorismo e o desenvolvimento de novas empresas industriais, além de alavancar aquelas que já estão instaladas, visando à agregação de valor”, afirmou.

Também durante o evento foi realizado painel sobre os temas indústria 4.0 e saúde e segurança nos ambientes de trabalho. O diretor técnico do SESI/SC, Marco Goetten, disse que a saúde é um ativo estratégico para o desenvolvimento do setor. “Estamos com uma agenda de sensibilização para o tema, que é a base e o catalizador de todos os outros fatores estruturantes presentes na agenda”, afirmou. Goetten também apresentou a Aliança Saúde e Competitividade, iniciativa da FIESC que visa ao engajamento e a participação de lideranças empresariais, acadêmicas, políticas e da sociedade na promoção da saúde e ambientes seguros para o trabalho. Além disso, propõe reposicionar o assunto como um dos fatores estratégicos para a competitividade da indústria. Lages receberá seminário sobre a Aliança no dia 14 de outubro.

Conheça as ações previstas na Agenda da Serra catarinense:

Capital humano
- Estimular o treinamento, capacitação e formação continuada dos trabalhadores;
-Realizar ações articuladas entre poder público e iniciativa privada para a elevação da escolaridade básica de jovens e adultos que não concluíram seus estudos na idade regular;
-Ampliar o alinhamento entre a oferta de formação das instituições especializadas em educação profissional e a demanda por desenvolvimento de competências para o mundo do trabalho;
-Estruturar redes colaborativas entre as equipes de gestão de pessoas de diferentes empresas, voltadas para o estudo de possibilidades de ações articuladas para a formação profissional e pessoal continuada;
-Criar estratégias para atração e retenção de profissionais com alta qualificação;
-Criar mecanismos para facilitar a inserção dos jovens no mundo do trabalho, por meio da organização de programas de estágio e de ações que valorizem as profissões relacionadas aos diversos setores econômicos da região;
-Investir em ações voltadas à melhoria da atuação dos gestores escolares e na formação continuada dos professores.

Infraestrutura
-Realizar adequação da capacidade, melhoria da segurança e eliminação de pontos críticos da BR-282, no trecho São Miguel do Oeste-Lages;
-Implantar terceiras faixas, ampliação de acostamento e melhorias nas interseções e sinalização da BR-282 no trecho Lages-Florianópolis;
-Complementar as obras de infraestrutura e de acesso e iniciar a operação e consolidação do Aeroporto Regional do Planalto Serrano, em Correia Pinto;
Realizar estudo e dar início às obras de melhorias, manutenção e recuperação da sinalização das rodovias estaduais;
-Dar continuidade ao projeto de construção do corredor ferroviário Leste – Oeste;
-Efetuar obras para garantir maior segurança e eficiência da BR-116 (SC);
-Disponibilizar rede de distribuição de gás natural para a Serra Catarinense.

Inovação e empreendedorismo
-Promover a integração entre indústria, governo e academia para o desenvolvimento de estratégias inovativas, ações empreendedoras e expansão do mercado;
-Alinhar PD&I com as vocações da produção regional e incentivar a cultura da inovação;
-Alinhar as atividades de PD&I às demandas da região por meio de alinhamento de editais;
-Criar sistema de disseminação dos avanços tecnológicos e das inovações para o desenvolvimento de novos produtos;
-Ampliar mecanismos de fomento e de incubação de startups e incentivar a criação de redes colaborativas, produção simbiótica e formação de ecossistemas de inovação;
-Criar selos ambientais regionais e premiar indústrias engajadas em novas tecnologias ambientais;
-Facilitar a integração de micro e pequenas indústrias às instituições de pesquisa.

Internacionalização
-Incrementar promoções de ações de marketing internacional e de capacitação (seminários, encontros de negócios internacionais, missões comerciais e prospectivas, entre outros) para indústrias da região;
-Identificar novos mercados internacionais e potencializar os atuais para as empresas da região;
-Oferecer soluções para que as indústrias exportadoras possam adequar seus produtos para exportação, conforme as características dos mercados internacionais potenciais;
-Ofertar soluções direcionadas às operações comerciais, a exemplo da emissão de certificados de origem para exportação (Sistema de Certificação de origem Digital (COD Brasil), e emissão de ATA Carnet para admissão e exportação temporárias de mercadorias;
-Apoiar as indústrias da região no processo de exportação;
-Colaborar para minimizar ou romper os obstáculos externos às exportações: custos portuários e aeroportuários e dificuldade no ressarcimento de créditos tributários, além da burocracia alfandegária, aduaneira e tributária no Brasil.

Investimento e política pública
-Fomentar a captação de recursos para o desenvolvimento e modernização da cadeia produtiva da indústria regional;
-Simplificar e adequar as legislações tributária e trabalhista;
-Promover a desburocratização, o alinhamento com o sistema regulatório e de fiscalização e um maior envolvimento da indústria na discussão de novos marcos regulatórios ou nas revisões dos atuais;
-Ampliar as linhas de financiamento e os incentivos de maneira desburocratizada, principalmente para PD&I em pequenas e médias empresas;
-Reduzir a carga tributária e criar novos incentivos fiscais mantendo os já existentes;
-Buscar rede de investidores e atrair indústrias inovadoras para a região;
-Buscar maior representatividade do setor por meio da organização e mobilização institucional, de modo a exercer influência sobre investimentos dos governos estadual e federal;
-Identificar, aumentar e facilitar as PPPs (Parcerias Público-Privadas)

Mercado
-Mapear necessidades, fornecedores potenciais e oportunidades de integração existentes na indústria regional e aplicáveis aos diversos setores produtivos;
-Elaborar um plano de marketing adaptado às caraterísticas dos produtos produzidos na região, com foco em difundir a marca de Santa Catarina;
-Desenvolver e adequar atuais e novos produtos atendendo a demanda dos mercados interno e externo;
-Criar programas de valorização de iniciativas socioambientais adotadas pela indústria, divulgando as boas práticas ambientais;
-Fortalecer a posição institucional de setores junto às instituições governamentais, promovendo debates entre os agentes envolvidos e formatando políticas mais focadas ao desenvolvimento local;
-Organizar seminários e fóruns que congreguem os representantes da cadeia produtiva dos setores regionais;
-Priorizar a integração com microprodutores rurais na produção florestal.

Saúde e segurança
-Consolidar informações sobre saúde e segurança da região para apoiar decisões estratégicas;
-Capacitar lideranças no tema saúde e segurança para a competitividade;
-Realizar pesquisas e propostas inovadoras para as empresas da região em saúde e segurança do trabalho;
-Promover seminários, congressos ou encontros internacionais e nacionais para o alinhamento estratégico de ações, a partir das tendências mundiais em saúde e segurança;
-Aproximar os interesses da indústria, dos sindicatos e órgãos fiscalizadores em saúde e segurança;
-Aproximar os setores da região com o poder legislativo para a valorização das empresas promotoras de saúde e segurança;
-Adequar as normas de saúde e segurança à nova realidade da produção;
-Fomentar programas para melhoria da qualidade de vida do trabalhador;
-Promover ações para aumento da produtividade do trabalhador por meio da melhoria do seu perfil de saúde.


Assessoria de Imprensa da FIESC