Embora o discurso pareça até razoável - limitar os gastos - e que a Câmara Federal tenha aprovado ontem à noite em  1º turno com ampla maioria dos votos - 366 a favor e pouco mais de 100 votos contra - eu sou totalmente contra o congelamento dos gastos do Governo Federal por 20 anos, como os novos ocupantes do poder central estão querendo. 

- Em síntese, isso significa que o Governo Federal está se transformando cada vez mais em "figura decorativa" (com poder cada vez menor já que tudo, aos poucos, está sendo entregue de mão beijada à iniciativa privada);

- Como saber quais as necessidades de gastos do Governo Federal para daqui a 5, 10 ou 15 anos? E se der uma grande catástrofe como uma seca muito prolongada numa ampla região? Uma grande tempestade ou enchente em determinado local? Um surto inesperado de determinada doença? Como impedir que o Governo invista e dê socorro à população em tais casos? 

- É o legítimo "Estado Mínimo" que o Neoliberalismo apregoa. Estado Mínimo para um país de tanta gente pobre? Com graves problemas de saúde, educação e infraestrutura? Estado Mínimo deveria existir para quem não precisa. Mas não para a grande maioria do povo brasileiro, ainda tão fragilizado e com renda tão baixa. 

- Isso significa que por 20 anos adeus grandes projetos de construção de rodovias (duplicação), ferrovias, transposição de rios, construção de hidrelétricas, pontes, grandes obras...... isso só vai acontecer se os investimentos vierem da iniciativa privada. E nós, além de continuar pagando impostos salgados,  vamos pagar bem caro para poder utilizar essas estruturas privadas (estradas, ferrovias, aeroportos, energia, etc) já que a iniciativa privada - essa boazinha - não investe se não puder ter bons lucros. 

- Serão construídas novas Universidades Federais e  Escolas Técnicas Federais para qualificar e dar um futuro melhor a nossos filhos? Serão liberados recursos para que nossos jovens possam continuar indo estudar no exterior? Para que a Ciência e a Tecnologia avancem neste país? Para que novas tecnologias na área da Medicina possam chegar de graça à população?

- E como ficarão os reajustes dos funcionários públicos federais? E a política nacional de reajuste do salário mínimo?

- Não seria mais prudente - ao invés de tomar uma decisão tão injusta como essa - reduzir as altíssimas taxas de juros já que com os juros tão elevados o Governo paga valores exorbitantes de suas dívidas? Elevar os impostos para quem ganha mais e para produtos considerados supérfluos? Cobrar impostos mais justos sobre grandes fortunas? E sobre compras de bens de luxo, por exemplo? 

- Não seria mais prudente, então, cortar os super salários e todas as regalias de deputados, senadores, governadores (até salário vitalício eles têm aqui em SC), auxílio moradia para todas essas castas, Ministros e Procuradores, Juízes e tantos outros que ganham maravilhosamente bem quando comparado ao grosso dos trabalhadores da iniciativa privada?

- Não seria mais prudente diminuir os repasses obrigatórios para os Legislativos e o Judiciário?

- Teremos Governo para quê? Para simplesmente "administrar a massa falida"? Ou para promover e incentivar setores que precisam de impulso para gerar desenvolvimento?

- E se o PIB do país voltar a crescer em bons níveis logo mais? E se a arrecadação do Governo Federal aumentar? O que vão fazer com o dinheiro que sobrar? Dividir entre os deputadods e senadores? Aumentar as regalias dos políticos e do Judiciário?

EM TEMPO: Parabéns à NOSSA DEPUTADA FEDERAL CARMEN ZANOTTO, QUE NÃO ENTROU NA ONDA DO TEMER E  VOTOU CONTRA ESSA ABERRAÇÃO. 

Loreno Siega - Revista Visão