Neste domingo (30/10) acontece a última edição do Palco Aberto Marajoara. O evento, que visa a profissionalização de músicos lageanos, vai acontecer no parque Jonas Ramos (Tanque), às 16h, e terá como atrações as bandas Doctor Holmes, Nona Avenida, El Camino e Little Boy.Durante os seis meses de projeto, passaram 103 músicos de 24 bandas diferentes, com um público estimado em cerca de mil pessoas durante as cinco primeiras edições.

Muito além dos números, o Palco Aberto Marajoara trouxe à tona assuntos que eram pouco discutidos dentro da comunidade musical. “O show é só a cereja do bolo. Antes das apresentações acontecerem abordamos junto às bandas assuntos como assessoria de imprensa, gestão de redes sociais, direitos autorais, organização de eventos, produções artística e fonográfica. Nunca existiu nada parecido em Lages”, diz o coordenador do projeto, Thomas Michel.

A sistemática do Palco Aberto é simples, mas eficiente. Durante o mês que antecede o show, as bandas passam por quatro reuniões de capacitação. Elas também são responsáveis por organizarem o evento em que vão tocar. Segundo Thomas, a intenção principal do projeto é incutir a filosofia do “faça você mesmo”, nos músicos.

Todo esse trabalho teve apoio de técnicos da Fundação Cultural de Lages (FCL), que ajudaram na montagem do plano de ensino do projeto, na cessão de espaço para as reuniões e shows.“O mercado musical mudou de forma extrema na última década. Não teremos mais estrelas da música nem grandes gravadores investindo milhões nos artistas. A solução para isso é trabalhar muito mais que os músicos estão acostumados; tem de fazer tudo, desde mexer com design até com as finanças da banda”, exemplifica.

Música autoral

Desde o começo do projeto, o foco foi na música autoral. Segundo Thomas, isso é o que sustenta a produção cultural de uma cidade. “Não faz sentido termos bons músicos, mas eles ficarem fazendo covers de bandas de fora. Temos que valorizar a arte feita em Lages”, opina.

Algumas bandas que participaram do projeto precisaram começar a compor para se apresentar no Palco Aberto Marajoara. Caso da banda Outro Mundo, do baixista Adriano Ribeiro. “O que eu mais curti durante o projeto foi a interação entre os músicos, trocas de ideias, dicas. Gostei, principalmente,das dicas sobre gestão da banda”, destaca.

Último Palco Aberto de 2016

Com cinco edições no teatro Marajoara, o Palco Aberto resolveu “sair da toca” e ir para a praça. A ideia de fazer no Tanque surgiu de um desejo de ocupar as praças de Lages com música. Para o vocalista da banda Doctor Holmes, Sergio Ramos, não se espera menos que “um lindo dia de sol, bom público e um belo show das bandas envolvidas”.

Sobre as bandas

Little Boy

Little Boy é o nome da bomba que explodiu há 71 anos em Hiroshima, e agora “explode” novamente com o objetivo de mudar sua mente. A banda reverbera através de suas músicas a mentalidade crítica a respeito dos problemas sociais, tão transformadora e nuclear quanto a bomba japonesa.

El Camino Band

El Camino Band, um grupo de músicos que gostam de se reunir para compor e tocar suas músicas, sem pretensão de sucesso, mas pelo simples fato de executar suas obras como satisfação pessoal.O nome remete ao carro antigo e a um caminho a ser percorrido. Criada em meio a carros antigos, a banda segue a máxima: “No estojo do violão ele carrega um canhão de mão”.

Nona Avenida

A Nona Avenida estende a mão e tira o ouvinte para dançar. Suas músicas elétricas divagam sobre amores noturnos, relacionamentos regados a álcool e amnésias recorrentes. Uma grande mistura de poesias noturnas e olhares indiscretos. Influenciada pelo cinema independente, pela arte retro e pela nostalgia dos anos 80, a veia cinematográfica da Nona Avenida corre como uma injeção de adrenalina. A Nona Avenida traz à tona os amores incompreendidos, as traições, as reviravoltas e as misturas de amor, dança, tequila, sal, gelo e limão.

Doctor Holmes

A música da Doctor Holmes reflete uma inusitada alquimia que une a fria estética do viver no sul do mundo à intensidade espiritual da música negra universal.A índole introspectiva e contemplativa típica dos povos dos altiplanos serranos conjugada com as referências bluseiras, roqueiras e jazzísticas absorvidas por seus integrantes; dá expressão a uma sonoridade ao mesmo tempo particular e cosmopolita.Fronteiras e limites artísticos são voluntariamente transcendidos para recuperar o universal na arte da indomável personalidade sulista dos integrantes da Doctor.

Serviçodo evento:

O quê: 6º Palco Aberto

Onde: Parque Jonas Ramos (Tanque)*

Quando: dia 30/10, domingo, às 16h

*caso chova, o evento acontecerá no cinema do Centro Cultural Vidal Ramos (Colégio Rosa)