São poucos os criadores da raça crioula lageana, um gado rústico descendente dos animais remanescentes das missões jesuíticas, cuja origem está nas raças ibéricas. Pois estes fazendeiros estão empenhados em conservar a raça. No fim de semana, deram uma aula sobre esses animais ao deputado Gabriel Ribeiro (membro da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa), e ao prefeito eleito de Lages, Antônio Ceron, que já ocupou o cargo de secretário de Estado da Agricultura.

Os dois foram recebidos na Fazenda Igrejinha, na Coxilha Rica, em Lages, uma propriedade cuja casa principal foi construída em 1896 e onde mora Nelson Camargo, um conservacionista que mantém o gado crioulo e também de cavalos e porcos rústicos. Na propriedade dele os cursos d’água estão livres de poluição, e as araucárias dominam a paisagem.

A Associação Brasileira de Criadores da Raça Crioula Lageana quer o apoio dos dois políticos para que ajudem a difundir a importância de preservar este patrimônio serrano. Edison Martins, diretor da entidade, enfatiza que a FAO (órgão da ONU para a alimentação) investe para conservar os recursos genéticos locais, como forma de manter a variedade genética dos animais.

Gabriel Ribeiro foi o autor do pedido de uma audiência pública ocorrida em março deste ano na qual os criadores mostraram a importância da raça e o diferencial da carne no mercado consumidor: maior suculência, maciez, sabor diferenciado, além de se tratar de um produto único, pois não tem cruzamento com outras raças. Uma característica que facilmente identifica estes animais é pelas longas aspas.

A fazenda onde Ceron e Gabriel Ribeiro foram recebidos se localiza a 1.364 metros de altitude e de onde se tem um dos visuais mais belos da região. Outras duas propriedades que mantêm o gado crioulo lageano ficam na própria Coxilha Rica e no município de Ponte Alta, a 45 quilômetros de Lages. Os donos têm fornecido exemplares deste gado para a Embrapa para que os técnicos façam o aprimoramento genético.

O gado crioulo dominou os campos naturais do Planalto Sul até o começo do século 20, passando por seleção natural por aproximadamente 400 anos. O que tem estimulado o trabalho dos criadores é a mudança na concepção da qualidade de vida, com enfoque na oferta de alimentos livres de agrotóxicos e produzidos levando-se em consideração a conservação dos recursos naturais e a valorização dos recursos genéticos e históricos locais.

Tarcísio Poglia - Assess. de Imprensa do deputado Gabriel Ribeiro