Quem trafega pela BR-282, no distrito de Índios, enxerga apenas uma plantação coberta mais ou menos do tamanho de um campo de futebol em frente a uma bela casa. Não há uma placa indicativa e a topografia serrana encobre um tipo de produção intensiva desconhecida dos lageanos.

Os sócios da Agrícola Pilatti convidaram o deputado Gabriel Ribeiro (PSD), membro da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa, para conhecer o modelo de produção e os projetos de curto prazo. O morro esconde uma produção orgânica, cujos produtos são distribuídos em grandes redes de supermercado de Santa Catarina e chegam às populações de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná e, em menor escala, em outros centros consumidores do país.

Lages, que calcou sua economia na agropecuária e na madeira ao longo do século 20, tem diversificado a produção nas últimas duas décadas. E  a agrícola é um passo nesta direção. Deste terreno que poucos conhecem saem 150 toneladas de uvas, 100 de morango (produção o ano todo), 400 de ameixa, 60 de pera, além de quase mil toneladas de beterraba e outras mil de cenoura. Variedades de tomate começam a tomar corpo. E a produção de citros está prevista para a safra do ano que vem.

Sócio do empreendimento, Marcos Pilatti explica que a produção de uva era convencional, mas passou por um processo de conversão de dois anos sem agrotóxicos e a safra atual já é considerada orgânica. O fato de não haver veneno agrega valor aos produtos.

Os empresários explicaram ao parlamentar que há 97 produtores associados na Serra Catarinense, e a agrícola emprega diretamente 83 pessoas. A relação com os associados tem certa semelhança com o sistema da agroindústria no Oeste do Estado. Aliás, a família Pilatti tem origem no Meio-Oeste catarinense e trouxe para Lages o característico sotaque de descendentes italianos. Pelo contrato, a agrícola fornece assistência técnica e assume o compromisso de compra do produto, cabendo ao produtor o trabalho e o custo na propriedade.

Há uns 10 anos, os sócios corriam atrás de parceiros, mas hoje há lista de espera, explica o sócio. Surpreso com o que viu, Gabriel Ribeiro disse que este modelo, envolvendo empresa e famílias produtoras, dá certo e que relatará o que viu no Parlamento.

Tarcísio Poglia - Assessoria de Imprensa do deputado Gabriel Ribeiro