Passados 11 dias do início da colheita do pinhão (em 1º de abril), diversos proprietários rurais se ocupam quase que totalmente desta lida, no campo. Somente na região de Mortandade, no município de Painel, em cerca de 30 propriedades rurais é feita a colheita do pinhão, a qual é destinada, em grande parte, à venda.

Na Mortandade estão as maiores reservas de pinheiro-brasileiro (araucária) daquele município e por ali passa a Rodovia das Araucárias, ligando os municípios de Painel e Urupema.

Na propriedade de três milhões de metros quadrados, pertencente a Idelmar Oliveira Neto, 67 anos, a estimativa de colheita, neste ano, é de oito mil quilos do fruto-semente da araucária. “Isto representa apenas 10% do pinhão que é produzido, por ano, aqui nas minhas terras”, fala Idelmar. “O restante, 90%, são consumidos pelos animais silvestres, além do gado de minha propriedade. A gente não vence colher todo o pinhão que é produzido.”

Segundo ele conta, as oito toneladas são colhidas por ele próprio e mais um ajudante. Em alguns dias ele conta também com a ajuda de um sobrinho. “De abril a junho, lidamos com o pinhão, que garante uma boa renda, mas o que mais rende, ainda, é a criação do gado”, garante o fazendeiro.

Seu Idelmar fala que antes de comprar a máquina que debulha pinhão (espécie de trilhadeira) o trabalho era muito mais difícil. O serviço que antes era feito em 15 dias, hoje se faz num dia só. “Tudo está mais fácil. Esta máquina é uma mão na roda”, fala, aliviado, o homem do campo.

 “Nós consumimos muito pinhão aqui em casa. Paçoca, pinhão cozido, assado ou sapecado, e o restante é vendido. Temos compradores certos, todo o ano. Eles vêm de Florianópolis e do Rio Grande do Sul. Vendo pinhão também para a Prefeitura de Lages”, revela Idelmar.

Para este ano, reservado para o consumo durante a divulgação e realização da Festa Nacional do Pinhão, a Prefeitura comprará de seu Idelmar cerca de mil quilos de pinhão. “Teve ano em que a Prefeitura chegou a comprar oito toneladas. Isso foi na época em que ela era a organizadora exclusiva da Festa do Pinhão”, conta João Batista Lima, o servidor público responsável pela compra do produto.

“O pinhão que é comprado pela Prefeitura é geralmente doado para autoridades (pinhas), durante os eventos de lançamento da Festa do Pinhão, e também é consumido nas casas de recepção aos turistas, na CCO e em outros locais onde se concentram equipes organizadoras do evento”, fala João Batista Lima.

Pinheiro novo dá mais pinhão

Na fazenda de Idelmar Oliveira Neto, a grande maioria das araucárias é centenária, árvores que produzem menos pinhão. Os pinheiros mais altos não são escalados através do sistema de esporas que não garante total segurança. A queda do escalador, nesta situação, seria praticamente fatal.

Assim, a colheita nestes pinheiros ocorre somente após as pinhas debulharem naturalmente. Nos pinheiros mais baixos e mais novos, onde a produção é mais farta, usa-se uma vara de alumínio (fabricada exclusivamente para esta lida). “A vara de alumínio é mais leve do que a vara de taquara”, explica Idelmar.

 

Fotos: Marcelo Pakinha - Texto: Ascom/PML