Estudo da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) analisou o estado de conservação e manutenção de 581 quilômetros de rodovias estaduais catarinenses nos Planaltos Serrano e Norte. O trabalho destaca o volume expressivo e a boa qualidade das obras recém realizadas nas rodovias SC-114 (Lages/ Painel e São Joaquim) e na SC-112 (Rio Negrinho/ Volta Grande), além da revitalização em andamento na rodovia SC-390 (São Joaquim e Bom Jardim da Serra). Contudo, alerta para a falta de manutenção em outras estradas, como é o caso da SC-477 (Papanduva/ Major Vieira/ Canoinhas), que resultou em deterioração de muitos trechos. O resultado da análise foi apresentado nesta sexta-feira (12), durante reunião da Câmara de Assuntos de Transporte e Logística da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), realizada em Lages.

O levantamento ressalta que é urgente a realização de um plano de manutenção e de recuperação tanto para as estradas recentemente revitalizadas quanto para os trechos que estão em situação crítica. A criação de um programa é fundamental para o gerenciamento da rede viária das regiões analisadas, assim como para melhorar a segurança dos usuários. “Entendemos que Santa Catarina precisa de modais muito bem estruturados. Temos lutado por melhores condições das rodovias, ferrovias e portos. Nossos apontamentos e contestações são sempre baseados em estudos técnicos”, destaca o presidente da Câmara de Assuntos de Transportes e Logística da Fiesc , Mario Cezar Aguiar.

O estudo também avaliou as rodovias SC-390 (Capão Alto/ Campo Belo do Sul/ Cerro Negro/ Anita Garibaldi); SC-284 (Abdon Batista/ Ibicuí/ Campos Novos); SC-477 (Papanduva/ Major Vieira/ Canoinhas); SC-120 (Três Barras/ BR-280); SC-114 (Itaiópolis/ Moema); SC-112 (Rio Negrinho/ Volta Grande); SC-418 (São Bento do Sul/ Fragosos) e SC-418 (São Bento do Sul/ Campo Alegre/ Pirabeiraba). A análise, que tem o apoio do CREA-SC, foi feita pelo engenheiro Ricardo Saporiti, que percorreu as rodovias em fevereiro. “Não dá para ter apenas soluções temporárias e paliativas, como as operações tapa-buracos, é preciso investir em manutenção e em soluções inteligentes e modernas”, frisa o engenheiro.

Conforme o levantamento, o montante total médio dos recursos alocados para as obras de conservação e manutenção rodoviária em todo o Estado − R$ 4.603,42 por quilômetro – não permite a realização de preservação, reforços de base, fresagens da capa asfáltica, microrrevestimentos, recuperações de obras de artes especiais (como pontes e viadutos, por exemplo) e sinalizações, acarretando, ao longo do tempo, a deterioração total do pavimento. Na seleção das rodovias estaduais analisadas, foi levada em consideração a interligação com as estradas federais que cortam o Estado e os trechos que são de responsabilidade das superintendências regionais do Deinfra e das Agências de Desenvolvimento Regionais (ADRs).

Segundo estudos do Instituto de Pesquisas Rodoviárias e do DNIT, o mau estado de conservação da rede viária resulta no acréscimo do consumo de combustíveis em até 58%, no aumento no custo operacional dos veículos em até 40%, na elevação do índice de acidentes em até 50% e no acréscimo no tempo de viagem em até 100%, além de efeitos adversos na economia e no desenvolvimento das regiões. O estudo também destaca que para cada US$ 1 não investido em conservação e manutenção de uma rodovia serão necessários de US$ 2,50 a US$ 3 para restauração.

“A situação das rodovias sempre foi uma das nossas preocupações. As questões de conservação estão diretamente ligadas ao desenvolvimento econômico da nossa região e a competitividade das indústrias”, reforça o vice-presidente da Fiesc  para Serra Catarinense, Israel Marcon.

 

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