Lages foi  o município anfitrião e sedia a I Conferência Macrorregional de Saúde das Mulheres na tarde desta sexta-feira (12). O evento, com o tema “Saúde das Mulheres: Desafios para a Integralidade com Equidade”, realizou-se  na Associação dos Aposentados e Pensionistas, na avenida Belizário Ramos (Carahá). Foram 147 inscrições antecipadas, sendo que estiveram  presente cerca de 200 mulheres da área técnica da saúde na esfera municipal, além de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) das cidades da região serrana do Estado.

A I Conferência Macrorregional debateu  quatro eixos principais e ao final foram  elaboradas dez propostas a serem levadas para a Conferência Estadual, marcada para junho, em Florianópolis. Cada município representado na Conferência desta sexta, em Lages, terá direito a delegados conforme a proporcionalidade habitacional, para participar na etapa da capital. Lages poderá enviar oito representantes. Além da eleição dos delegados haverá debate, trabalho em grupo e plenária final. A Conferência Macrorregional é realizada pela Prefeitura de Lages através da Secretaria da Saúde, com envolvimento do Conselho Municipal de Saúde, Secretaria de Política para a Mulher e Assuntos Comunitários e Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, e é coordenado por Adriana Anacleto, também membro do Conselho Municipal de Saúde.

O que se discutiu?

Os eixos aprofundados são os seguintes: I - o papel do Estado no desenvolvimento socioeconômico e ambiental e seus reflexos na vida e na saúde das mulheres; II - o mundo do trabalho e suas consequências na vida e na saúde das mulheres; III - vulnerabilidades e equidade na vida e na saúde das mulheres e IV - políticas públicas para as mulheres e a participação social. O eixo principal do evento será a implementação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres, contemplando a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres e as políticas de equidade.

Nacional em agosto

A etapa macrorregional será preparatória às etapas estadual e nacional. A I Conferência Estadual acontecerá nos dias 13 e 14 de junho de 2017, em Florianópolis. A I Conferência Estadual de Saúde das Mulheres de Santa Catarina é uma etapa preliminar da II Conferência Nacional, entre 1 e 4 de agosto de 2017, em Brasília. Esta terá como objetivo propor diretrizes para a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Mulheres.

Em números

Nos últimos anos a mulher tem sido assunto principal nas discussões sobre empoderamento, independência financeira, autonomia, formação superior, evolução no mercado de trabalho e dupla jornada, entre tantos outros temas que a rondam. Além destes, carreira profissional, trabalho doméstico, maternidade, violência física e psicológica, racismo e preconceito de gênero.

A cada 12 segundos uma mulher sofre violência no Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que a taxa brasileira de feminicídios é de 4,8 para 100 mil mulheres, a quinta maior do mundo. Em 2015, o Mapa da Violência sobre homicídios entre o público feminino mostrou que o número de assassinatos de mulheres negras cresceu 54%, passando de 1.864 para 2.875, de 2003 a 2013. No mesmo período houve um aumento de 190,9% no número de vítimas negras.

Contudo, há diversas boas notícias: em 2016, as mulheres passaram a ocupar 44% das vagas de trabalho no Brasil. De acordo com o Portal Brasil/Governo Federal, o atual perfil da mulher resulta de transformações demográficas e socioeconômicas nas últimas décadas. As brasileiras são maioria da população, vivem mais, acumulam mais anos de estudo e têm aumentado ano a ano a responsabilidade por manter domicílios, baseando-se em informações do IBGE, OMS e ONU.

O IBGE aponta que, em 2017, o Brasil possui cerca de 105,1 milhões de mulheres, e 102,4 milhões de homens. A expectativa de vida entre as mulheres é de 79,5 e a dos homens, 72,4 anos. Outro aspecto é que as brasileiras também estão tendo filhos mais tarde; se divorciam mais jovens; assumem quase metade do número total da população ocupada no mercado de trabalho: 42,6 milhões (homens - 56 milhões); em 2014 acumulavam oito anos de estudos, enquanto eles, 7,5 anos, e têm taxa menor de analfabetismo: 7,9% contra 8,6%.

Fotos: Marcelo Pakinha - Texto: Ascom/PML