Em Lages, os princípios defendidos pela modalidade de Economia Solidária têm sido assunto das pautas de discussão da Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Turismo. Uma das vértices da referida pasta municipal consiste na Economia Solidária, que tem como princípio básico de suas ações a geração de desenvolvimento econômico com garantia de inclusão, renda e sustentabilidade ambiental. Compete à Economia Solidária a promoção e fomento às redes de cooperação solidária, constituídas por empreendimentos em cadeias produtivas e arranjos econômicos territoriais e setoriais de produção, comercialização e consumo solidários.

Economia Solidária é o conjunto de atividades econômicas de produção, distribuição, consumo, poupança e crédito organizadas sob a forma de autogestão. Compreende uma variedade de práticas econômicas e sociais organizadas sob a forma de cooperativas, associações, clubes de troca, empresas autogestionárias e redes de cooperação. Neste aspecto não há as figuras do chefe e do empregado, mas um único nivelamento de importância nos processos, sem hierarquias.

De acordo com o secretário de Desenvolvimento, Mario Hoeller de Souza, primeiramente se faz necessário compreender que a esfera pública não deve utilizar uma política paternalista, mas sim uma política de apoio ao público. “Porque senão, na vida inteira teremos somente projetos, e não programas. O Poder Público não pode ficar fazendo acontecer, mas assegurar o acontecimento através da motivação e da capacitação. Jamais devemos ser os fazedores neste caso, e sim os estimuladores da transformação das conversas em ações”, acrescenta.

As feiras de Economia Solidária espalhadas pela cidade oportunizam a exposição, a divulgação e a comercialização de artigos alimentícios e de artesanato, fabricados por produtores da agricultura familiar moradores de localidades rurais de Lages e de outros municípios da Serra, a exemplo de Correia Pinto. São vendidos, a preços atrativos aos clientes, verduras, hortaliças, legumes, temperos, frutas, grãos, bolachas, doces caseiros, como doce de leite e mel, além de itens de uso diário dentro dos lares, como panos de prato, bolsas e potes.

As praças movimentadas

Um dos locais mais frequentados às sextas-feiras é a Praça Vidal Ramos Sênior, ao lado do Terminal Urbano, estrategicamente escolhido para receber centenas de consumidores que primam pelo produto cultivado livre de agrotóxico e retirado fresco da terra, pouquíssimas horas antes de estar nas barracas. Na Praça do Terminal, a feira começa pela manhã, bem cedo.

Outros endereços das feiras de Economia Solidária são: em frente ao Ginásio Ivo Silveira e nos pátios da Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac) e do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV). A Secretaria do Desenvolvimento prima pela participação dos próprios produtores, principal foco das mobilizações. Segundo Mario, estes produtores da Economia Solidária já têm seu trabalho consolidado, somente falta um melhor alinhamento.  

O gerente do Programa Empreender Lages, Amauri Bacci, lembra que os grupos devem trabalhar concisos e sob o aspecto de se criar o associativismo regional. “Atualmente estes produtores da feira são independentes, e a Secretaria sugeriu a criação de uma cooperativa. Temos de pensar dessa forma.”

É Lei

A Lei Municipal número 4.075, de dezembro de 2014, instituiu a Política Municipal de Fomento à Economia Solidária e trata de questões pertinentes ao Conselho Municipal de Economia Solidária, Fundo Municipal, Selo, agricultura familiar, formulação, gestão, execução e objetivos, empreendimentos e agentes executores. 

Lages conta com um Conselho Municipal de Economia Solidária, apoiado pela Secretaria, em que a causa deve ter mais importância do que a entidade que a percorre. O Conselho tem caráter deliberativo e consultivo e deve ser composto por quinze entidades, sendo cinco do governo municipal, cinco de empreendimentos de economia solidária e cinco de entidades de apoio. 

Fotos: Carlos Alberto Becker e Divulgação - Texto: Ascom/PML