A Cooperativa de Trabalho dos Catadores de Materiais Recicláveis de Lages (Cooperlages) está celebrando o aniversário de dois anos de atividades com otimismo, apesar de 2017 ter sido de dificuldades financeiras e desafios frente à conscientização tímida da comunidade sobre a separação dos resíduos considerados descartáveis dentro das casas e estabelecimentos industriais e comerciais. Reciclagem e compostagem têm mais algo em comum do que a simples rima, são as opções de um futuro bem presente.

A noite de quinta-feira (14 de dezembro) foi de festa para os 36 cooperados e suas famílias. A partir de janeiro de 2018, o Município irá adicionar R$ 15 mil aos R$ 44 mil atualmente repassados por mês à Cooperlages, de acordo com a diretora de Meio Ambiente, Sílvia Oliveira. O contrato será assinado em breve. Os recursos são voltados ao pagamento da reforma do barracão da entidade, aquisição de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), serviços de contabilidade. “Antes a gente recebia R$ 22 mil por mês da prefeitura”, recorda a presidente da instituição, Neuzita dos Anjos. A fatura de energia elétrica é bancada pela prefeitura, fora os recursos mensais.

O jantar de confraternização com arrecadação de recursos para a compra de presentes dos filhos dos catadores (entrega dia 22, às 19h) reuniu autoridades, cooperados e convidados na Associação de Moradores do bairro Penha. Homenagens foram prestadas a personalidades como o prefeito Antonio Ceron; secretários de Serviços Públicos e Meio Ambiente, Euclides Mecabô (Tchá Tchá) e de Águas e Saneamento, Jurandi Agustini, e à bióloga da Secretaria do Meio Ambiente, Michelle Pelozato. A Associação Empresarial de Lages (Acil) doou 42 cestas básicas para o Natal das famílias da Cooperlages.

“É indispensável que este trabalho seja feito cada vez mais com maior qualidade. O trabalho da Cooperlages é algo transformador, em reconhecimento ao que já foi feito e ao que se tem por fazer. É uma entidade socialmente eficaz, de alto valor, e que terá nosso apoio. Eu continuarei sendo seu entusiasta desta geração de emprego e renda”, pontua o prefeito Ceron.

Emocionada, a presidente da Cooperlages, Neuzita dos Anjos, apresentou a novidade para 2018, ano em que deverão ser fretados três caminhões, além das duas caminhonetes e um caminhão disponibilizados e mantidos pela prefeitura para uso da entidade. Com maior capacidade de recolhimento, a abrangência será de metade da cidade. “Ainda não temos capital de giro para estocar e vender para fora. Por enquanto nossos clientes estão em Lages mesmo. Este ano foi complicado. Cada família não tirou R$ 400 por mês, tiramos cento e poucos por quinzena.”

O vice-prefeito, Juliano Polese, o coordenador do Núcleo de Contadores e diretor da Acil, Aldo Esmério, e o coordenador da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP/Uniplac), Geraldo Löcks, prestigiaram o evento.

Aproveitamento ainda é baixo

A Cooperlages é protagonista no processo de coleta seletiva de todo tipo de plástico, papel e de metal em 35 bairros da cidade, além do transporte, separação e comercialização dos materiais. A Cooperativa, com barracão na rua Bernardo Gonçalves Küster, bairro São Miguel, possui esteira, prensa e balança para o processamento de resíduos, e recebe assessoria e apoio técnico da ITCP, com planejamento institucional e organizacional, vigilância psicossocial e apoio pedagógico. Além disto, noções de autogestão e suas funções ecológica e social. Esta semana completou dois anos de existência e comemora o feito de ter seus cooperados retirados das condições insalubres de um lixão (aterro sanitário) e partiu para uma realidade de autonomia e maior dignidade.  Em Lages, 100 toneladas de materiais são encaminhadas por mês para a Cooperlages através da coleta seletiva, mas somente 30% são aproveitados, pois a população ainda insiste no hábito da segregação inadequada do lixo em casa, sem se dar conta de que o lixo orgânico não pode ser misturado ao seco, eliminando sua utilidade.

É Lei (com informações do Ministério do Meio Ambiente)

A Lei 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, aborda as diretrizes para que o lixo seja tratado de forma educacional e civilizada. Contém instrumentos de avanço no enfrentamento dos principais problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos.

Prevê a prevenção e a redução na geração de resíduos, tendo como proposta a prática de hábitos de consumo sustentável e um conjunto de instrumentos para propiciar o aumento da reciclagem e da reutilização dos resíduos (aquilo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reaproveitado) e a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos. Institui a responsabilidade compartilhada dos geradores de resíduos - fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, o cidadão e titulares de serviços de manejo dos resíduos. Cria metas que irão contribuir para a eliminação dos lixões e institui instrumentos de planejamento, além de impor que os particulares elaborem seus Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos.

Fotos: Marcelo Pakinha