Brasil e Chile lideram retomada econômica da América Latina

 O Country Risk Book, estudo econômico desenvolvido pela Coface, seguradora de crédito francesa e líder de mercado no Brasil, aborda temas como Risco País, tendências macroeconômicas mundiais e as perspectivas políticas para o país. A Avaliação de Risco País da Coface (160 países) é feita numa escala de oito níveis, por ordem ascendente de risco: A1 (risco muito baixo), A2 (risco baixo), A3 (risco bastante aceitável), A4 (risco aceitável), B (risco significativo), C (risco elevado), D (risco muito elevado) e E (risco extremo). A Avaliação de Risco Setorial da Coface (13 setores em 6 regiões geográficas, 24 países que representam quase 85% do PIB mundial) é feita numa escala de quatro níveis: risco baixo, risco médio, risco elevado e risco muito elevado.

O estudo deste ano demonstra que depois de dois anos de recessão, economicamente falando a América Latina voltou a crescer em 2017. De acordo com a economista da Coface para América Latina, Patrícia Krause, ano passado houve uma alta de 1,1% e a estimativa é de +2,4% em 2018. “Esse crescimento deve ser liderado por Brasil e Chile. A estimativa da Argentina foi revisada para baixo por conta da seca e dos recentes acontecimentos”, explica a economista. Segundo Patricia, as moedas começam a reportar maior volatilidade e, por ora, ainda há espaço para política monetária expansionista na região, com exceção da Argentina e do México. A economista salienta que o longo calendário eleitoral em 2018 e cenário de maior protecionismo global são riscos a serem monitorados. Dia 27 de maio há o 1ºturno na Colômbia, com um possível 2° turno em 17 de junho. “As pesquisas mostram o candidato de direita e anti-acordo de paz liderando as pesquisas”, comenta Patricia.

No México, as eleições serão no dia 1 de julho (um único turno), com o candidato esquerdista Andrés Manuel López Obrador liderando as pesquisas. “No Brasil o cenário ainda é muito incerto, difícil de prever qualquer movimentação política mais assertiva”, declarou a economista, lembrando que as eleições por aqui serão nos dias 7 (1º turno) e 28 de outubro (2º turno).

As taxas de juros na região (AL) ainda estão em níveis historicamente baixos. “Se o prêmio de risco subir abruptamente, bancos centrais ficariam sob pressão para aumentar as taxas”, explica Patricia. Em março deste ano, as taxas eram as seguintes: 2,5% no Chile, 2,75% no Peru, 4,25% na Colômbia, 6,5% no Brasil e 7,5% no México.

Para o Brasil, Patricia destaca que mudou a projeção para PIB de 2018 para 2,5%, ante 2,8% anteriormente. ”Sentimos que o Brasil não terá uma retomada forte e de longo prazo. Essa revisão do PIB se deu em função, principalmente, pelos dados de atividade aquém do esperado no primeiro trimestre do ano. Também começamos a sentir o efeito da forte queda da Selic sobre as taxas cobradas pelos bancos comerciais, mas ela não deve cair mais do que 6,25%; pois, por mais que a inflação esteja baixa, a pressão sobre o câmbio é muito forte”, comenta a economista.

A confiança das empresas começou a ser afetada pelo risco de uma Guerra comercial

Parece que o crescimento mundial alcançou seu máximo (uma previsão de 3.2% em 2018 de acordo com a Coface) e está começando a mostrar sinais de fraquezas nos países avançados. A tendência de insolvência empresarial confirma este cenário, em 2017 apresentou uma caída sem precedentes em seus números e em 2018 espera-se uma tendência de baixa: -7% na zona do Euro e -5% nos Estados Unidos. A avaliação de risco país de Portugal foi melhorada para A2, já que o país está aproveitando uma dinâmica boa de crescimento.

Normalmente, o ciclo econômico dos Estados Unidos está à frente dos ciclos de países da Zona do Euro e dos emergentes. Se a confiança das empresas e a taxa de utilização da capacidade de produção dos Estados Unidos sugerem uma duração recorde do ciclo atual, a caída nos lucros corporativos (-10,3% interanual no final de 2017), e o risco de superaquecimento do mercado de trabalho, anunciam uma mudança de fase, depois de vários recordes alcançados em 2017, o índice de confiança das empresas agora demonstra claramente, que o pico máximo foi superado. Este ponto de inflexão coincide com as fortes restrições da oferta e um nível de risco político que permanece alto.

“A retórica protecionista foi desencadeada no mundo desde a eleição de Donald Trump e o espectro de uma guerra comercial poderia explicar a deterioração da confiança das empresas. A Coface espera que o presidente Trump continue anunciando medidas protecionistas antes das eleições que ocorrerão em novembro de 2018, as quais poderiam afetar o desempenho empresarial”, afirma Bart Pattyn, presidente e CEO da Coface América Latina. Segundo ele, no curto prazo, medidas de imposição de tarifas sobre uma seleção de produtos chineses não teriam impacto significativo na economia real ou sobre a boa dinâmica de comércio mundial (Coface prevê + 3.7% em 2018). No longo prazo, a guerra comercial aberta entre China e Estados Unidos poderia intensificar-se em alguns setores como tecnologia da informação e comunicações.

Em geral, risco menor para os negócios

Neste contexto de uma demanda mundial crescente, o aumento dos preços de petróleo permitiu que a Coface melhorasse a avaliação de risco para Nigéria que é o oitavo exportador de petróleo, de D para C, assim como também a avaliação do setor de energia no Brasil (risco médio) e Argentina (risco médio). Já no Chile o setor foi revisado para cima, devido aos investimentos em fontes de energia renováveis que o país tem feito nos últimos anos (baixo risco). A melhora na avaliação do risco país da África do Sul para B, levou em consideração estes fatores, além da recuperação da aceleração econômica, a qual foi impulsionada pela produção do setor químico, que agora se encontra como risco médio e o setor de papel (risco médio), assim como as vendas no varejo que também estão em médio risco. Por outro lado, as commodities mais caras prejudicaram os países importadores como Tunísia, pais cuja avaliação foi rebaixada para C.

Apesar das sanções do ocidente, confirma-se a recuperação da Rússia, tendo o principal motor o consumo doméstico e em menor grau, o retorno dos investimentos empresariais, resultando em uma melhora na avaliação de risco para três setores: químico, agora em risco baixo, papel em risco médio e construção em risco alto.

 

Tatiana Piva - Assessoria de Imprenssa