O Recanto do Pinhão leva o nome do idealizador da Festa Nacional do Pinhão, Aracy Paim, e chegou ao terceiro dia de programação nesta segunda-feira (21 de maio). Nesta época de vésperas do início da 30ª edição da maior festa da Serra Catarinense, a família de Aracy se reuniu com o prefeito Antonio Ceron na tarde desta segunda-feira em seu Gabinete na Prefeitura.

Depois da abertura da agenda de atrações culturais e artísticas no Calçadão da Praça João Costa no sábado, com adesão de grande público, a viúva do idealizador da Festa, Adelma Paim, relembrou a trajetória do esposo, um admirador e incentivador da valorização da tradição e respeito ao pinhão. Gaúcho da localidade de Ituim, próximo a Vacaria, no Rio Grande do Sul, Paim foi casado com a lageana Adelma por 29 anos, com quem construiu uma família em Lages, com três filhos: Aracy Ângela, Luís Fernando e Jane Lúcia, atualmente bibliotecária na Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac). Na visita ao prefeito Jane estava acompanhada do filho Rafael Paim Plachi, 23 anos. “Percebo que agora, na sua administração, o senhor deu um passo grande, avançou na divulgação da Festa. A realeza visita entidades, o evento em si está voltando as suas raízes. O senhor lidera, mas está bem assessorado. Meu esposo sempre teve idealismo e convicção do que estava fazendo em favor do município”, analisa Adelma. Já o prefeito destaca: “A Festa do Pinhão é a maior do país no gênero, na magnitude de shows. Estamos dando ênfase à parte popular, pois a Festa estava se dissociando do povo. O primeiro final de semana será dedicado aos gostos campeiros, com gineteadas e outras atrações. Os festivais das Sapecadas são um espetáculo a mais. A Festa do Pinhão tem de ter um DNA.”

Paim faleceu em 1984, aos 54 anos de idade, vítima de infarto. Hoje a família é composta também por dois netos e três bisnetos. “Na verdade é com imensa alegria que vivenciamos mais uma temporada de outono/inverno e de Festa do Pinhão. É notório que a Festa tem crescido com o decorrer dos anos. A semente foi plantada há 45 anos e tem sido colhidos frutos maravilhosos”, desabafa Adelma, aposentada como professora de história e que também atuou como educadora de estudos regionais.  

A filha Jane Lúcia perdeu o pai quanto tinha somente 23 anos. “Eu me sinto muito orgulhosa, sou despachada igual ao meu pai e digo o que precisa ser dito, sem rodeios. Lembro que na época ele foi muito criticado porque havia gente que achava: ‘Fazer casinhas de costaneiras de pinheiro? Não vai dar certo. Distribuir pinhões no Calçadão? Um absurdo’ A ideia deu muito certo e quando eu passo pelo Centro e vejo toda aquela felicidade do povo lageano e dos turistas, e toda a movimentação, parece que estou vendo a figura do meu pai. Ele tinha ideias à frente. Estava além do seu tempo’”, recorda a filha, com carinho. Paim era assessor de Turismo na prefeitura. “Ele queria enobrecer a cultura, criar algo de impulso à economia. Começou de forma simples, na Praça, com um tacho de pinhão fervido e gaiteiros e seus acordeons. Tirava do bolso para fomentar os costumes e ver Lages mais feliz.”

O gaúcho com alma e coração lageanos estava tão à frente do seu tempo que produzia sourvenirs artesanais para os turistas e lageanos levaram para casa um pedacinho de Lages. “Eu e meus primos envernizávamos pinhões. Um dia estávamos sentados à mesa almoçando e o pai disse: ‘Já imaginou se criassem opções de turismo rural em Lages?’ E nós duvidávamos, a gente não imaginava que alguém pudesse pagar para participar de lidas no campo. E olha aí no que as coisas se tornaram, hoje artigo de luxo para quem vive nas grandes cidades e quer buscar sossego e ar puro”, observa Jane Lúcia.

Texto e fotos: Assess. de Imprensa da PML