Dos vários assuntos abordados na coletiva de imprensa que o prefeito Antônio Ceron concedeu à imprensa, nesta manhã de segunda-feira (18/06), o que mais repercutiu foi a notícia de que Lages corre o sério risco de perder um investimento de R$ 800 milhões, com geração de 550 empregos diretos, que a vinda da unidade da empresa Berneck representaria para o município. 

O motivo para esse risco (de perder o investimento), segundo o prefeito, é o imbróglio judicial para a desapropriação de parte do terreno. Os proprietários até aceitam vender o imóvel (pouco mais de 576 hectares).  Mas não concordam com o valor feito pelos avaliadores. 

A Prefeitura fez uma avaliação inicial do imóvel, que ficou um pouco superior a R$ 2,57 milhões. A família fez outra avaliação. E pediu R$ 6,9 milhões, que a Prefeitura não aceitou pagar. Então a Justiça foi acionada pela família. E foi solicitado então uma avaliação judicial, feita  por  um perito nomeado pelo juízo. Nesta nova avaliação (a terceira), o valor seria de aproximadamente R$ 3,5 milhões (R$ 947 mil a mais do que a avaliação inicial feita pela  prefeitura). 

A família continua não aceitando esse valor (de R$ 3,5 milhões). A prefeitura até aceitaria depositar esse valor a mais desde que a Justiça faça de imediato a Imissão de Posse. Com isso, enquanto se decide essa questão do valor, a Berneck já poderia ir implantando seu parque fabril  em Lages.  Mas a juíza que cuida do caso está solicitando uma segunda avaliação,  com novo perito (prazo de 20 dias para ser entregue, a contar do dia 22/06, data em que deverá ocorrer essa avaliação in loco). 

Embora otimista e acreditando que haverá uma decisão positiva nos próximos dias, o prefeito Ceron confessou na coletiva de hoje  seu temor e preocupação de que se essa decisão demorar mais 30 ou 40 dias os empreendedores acabem desistindo de Lages para o investimento. "Os donos do terreno e Lages ficariam com uma área coberta de pinus. Mas não receberia um investimento desta magnitude, uma indústria que agregaria muito valor à madeira, gerando 550 empregos diretos e tendo mais de R$ 800 milhões em investimentos diretos. Seria uma grande perda para todos", lamentou o Procurador Geral do Município, Agnelo Sandini Miranda. 

Texto e foto: Loreno Siega - Revista Visão