Nas palavras do filho Patrick Cruz, a notícia que nos consternou: a morte de uma pessoa exemplar, colorado lageano da gema:

"Colegas, com muita tristeza compartilho com vocês a notícia do falecimento do ex-policial civil Aires Cruz Filho, meu pai. Ele morreu no fim da tarde deste sábado e o velório ocorre na Capela São Benedito desde ontem à noite. A cremação será às 14h. 

Por quase 30 anos, meu pai trabalhou como investigador da Polícia Civil, fazendo sua parte para tentar fazer desta uma cidade melhor. Era apaixonado pela investigação, que o manteve em diligências em incontáveis madrugadas do frio lageano - uma rotina que, segundo os médicos, acabou sendo um dos principais fatores dos problemas respiratórios que desenvolveu nos últimos anos. O orgulho da profissão o fez manter por muitos anos um álbum com o noticiário das apreensões de drogas e prisões de bandidos das quais ele participou - e que só depois de entrar na faculdade de jornalismo eu vim a saber que recebe o nome de clipping. Ele fez parte da equipe original da Delegacia de Investigações Criminais, a DIC, e chegou a ser homenageado como o policial há mais tempo na ativa. Ele estava aposentado, por tempo de serviço, já fazia alguns anos.

Seu Aires era, além de pai exemplar de três filhos e avô carinhoso de quatro netos, também um fiel torcedor do Inter de Lages, paixão que transmitiu a mim. Neste último ano, com a piora de seu quadro respiratório, já não se sentia mais seguro de ir ao estádio, mas fez questão de manter suas mensalidades em dia. “Minha parte eu faço”, dizia. 

Meu pai não vai virar nome de rua, de monumento, de praça ou qualquer espaço público. E nem precisa: em seu anonimato, ajudou a fazer desta uma cidade melhor, ajudou a manter um clube de futebol vivo. Nem todo herói vira logradouro.

Ele tinha 67 anos". 

Patrick Cruz - Filho de Aires Cruz Filho