A ideia inicial era criar apenas uma ação inovadora para o Dia Mundial da Água, celebrado em março, mas o encontro, que reuniu mais de trinta representantes do poder público e de empresas privadas relacionadas ao desenvolvimento econômico e social de Lages, resultou na criação de um Fórum Permanente de Saneamento Básico. Promovido pelo Banco da Família e Tigre, o evento realizado no Orion Parque na última quarta-feira (23) contou com a participação da prefeitura, secretarias municipais, universidades da região, polícia militar ambiental, entidades gestoras de água e outros entes públicos e privados. O comitê irá desenvolver ações de longo prazo para melhorar os índices de saneamento básico da cidade e promover mais qualidade de vida e conscientização para a população. 

A cidade de Lages coleta apenas 33% do esgoto, sendo que destes, só 39% é tratado, acima da média do Estado, que é de 21% de esgoto coletado e 27% tratado. Além disso, consenso entre participantes do evento, a falta de conscientização da população sobre a importância do saneamento é um grave problema social. “Além de não saber em quais bairros e regiões existe coleta de esgoto, as pessoas geralmente não sabem que é responsabilidade delas conectar o esgoto de suas casas à rede pública”, explica Rafael Guedes, engenheiro civil da Águas do Planalto, concessionária que presta serviços para Secretaria Municipal de Água e Saneamento (Semasa). 

Outro fator levantado pelo grupo foi relacionado a questões culturais. Por exemplo, moradores da região rural, que possuem acesso a água de nascentes e rios, não acreditam quando agentes de saúde explicam que essa água, apesar de límpida e transparente, pode estar contaminada por bactérias invisíveis a olho nu, que causam doenças e são impróprias para consumo. 

O vice-prefeito de Lages, Juliano Polese, que participou do encontro, disse que melhorar os índices de saneamento básico é prioridade na atual gestão, cuja meta é alcançar 70% de ligações de esgoto.  “Não podemos esquecer de um dado muito importante: a cada R$ 1 investido em saneamento básico, R$ 4 são economizados no sistema de saúde”, alerta. “A falta de saneamento básico é, também, uma questão de saúde pública, que acarreta em um ônus para o poder público”. 

O vice-prefeito destacou também a importância de realizar este encontro, que trata de um tema tão importante para a sociedade, em um ambiente como o Orion Parque Tecnológico da Serra Catarinense, que sedia o Centro de Inovação de Lages, espaço pioneiro e que concentra grande parte do ecossistema de inovação da cidade. 

A presidente do Banco da Família, Isabel Baggio,  falou sobre a atuação do banco na área de saneamento. “Nosso foco inicial era apoiar empreendedores para que gerassem renda para as famílias, mas como você vai empreender se você não tem sequer um banheiro em casa?”, disse. “Foi aí que entendemos que teríamos que ampliar nossa atuação”. A empresária também destacou a parceria com a Tigre. “Temos o mesmo propósito de melhorar a qualidade de vida das pessoas”.

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