Em pronunciamento realizado ontem, a deputada federal Carmen Zanotto (PPS/SC) ressaltou a preocupação com a decisão do governo que anulou as tarifas antidumping cobradas sobre a importação de leite em pó, integral e desnatado da União Europeia e da Nova Zelândia. As taxas, de 14,8% e 3,8%, respectivamente, eram cobradas desde 2001 e tinham o objetivo de proteger os produtores nacionais, garantindo preços estáveis no mercado interno.

Segundo dados preliminares do Censo Agropecuário de 2017/IBGE, existem no Brasil 1.171.190 estabelecimentos agropecuários produtores de leite, que em sua maioria são da agricultura familiar. 

A agricultura familiar, por exemplo, é responsável por 70% dos alimentos que chegam à mesa da população brasileira todos os dias.

De acordo com dados divulgados pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), o Estado é o quarto produtor nacional. Produz 3,059 bilhões de litros ao ano. Praticamente todos os estabelecimentos agropecuários produzem leite, o que proporciona renda mensal às famílias rurais e contribui para o controle do êxodo rural. O Oeste catarinense responde por 75% da produção. Os 80.000 produtores de leite (dos quais, 60.000 são produtores comerciais) geram mais de 9 milhões de litros/dia. A capacidade industrial está estruturada para processar até 10 milhões de litros de leite/dia.

“Se essa medida não for revista, nós vamos estar comprometendo a cadeia produtiva do leite no nosso país, os custos da produção interna são muito altos e os produtores não conseguem competir com o mercado externo. Precisamos pensar nos pequenos produtores que geram a economia nos municípios”, destacou a deputada.

A parlamentar também disse que o presidente Jair Bolsonaro publicou em suas mídias sociais que a medida será revista.

“Esperamos que o presidente reveja esta decisão, pois não podemos permitir que os nossos produtores sejam prejudicados”, destacou a parlamentar

 Foto: Agência Câmara - Texto: Silviane Manrich