Lages, o maior município em extensão territorial de Santa Catarina, concentra serviços referenciais na Serra em atendimento de emergência e urgência, pediatria, cardiologia, ortopedia, neo-natal, queimaduras e radioterapia. E na tarde desta quarta-feira (27 de fevereiro), o secretário de Estado da Saúde, Helton de Souza Zeferino fez sua primeira supervisão aos órgãos estaduais correlatos à pasta e ao prefeito Antonio Ceron, depois de assumir sua administração no governo de Carlos Moisés da Silva. “Estamos aqui para obviamente conversarmos com o prefeito no sentido de alinharmos algumas coisas e mantermos uma ponte de comunicação”, resume Zeferino.

Ceron repassou dados estatísticos ao secretário para estabelecer uma dimensão da cobertura em Saúde em Lages. Somente nos primeiros 26 dias de fevereiro deste ano foram feitos 154.987 atendimentos nas 28 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), além de nove mil atendimentos prestados no Pronto-Atendimento (P.A.) Tito Bianchini. Lages conta, ainda, com 49 equipes de Estratégica Saúde da Família. “Nos colocamos à disposição da Secretaria de Estado da Saúde, bem como das demais secretarias, e contamos com o apoio em nossas ações e projetos”, salienta o prefeito.

No âmbito das parcerias municipais, foi discutida a necessidade de assinatura do convênio entre a prefeitura e o Hospital Tereza Ramos (HTR), parado há mais de um ano. Outro ponto diz respeito à equipe clínica médica, em razão da grande dificuldade pertinente ao sobreaviso para encaminhamento de pacientes, em que estas pessoas ficam literalmente internadas no Pronto-Atendimento, serviço que não é de sua atribuição. “Por vezes, o paciente não é transferido por falta de sobreaviso, o que na nossa concepção é praticamente inadmissível porque se trata de um hospital do Sistema Único de Saúde (SUS) e referência”, argumenta Odila Waldrich, secretária municipal da Saúde.

O terceiro ponto é a demanda dos ambulatórios, pois o hospital atualmente não está realizando estas consultas via ambulatorial, para poder realizar o internamento. Este é um dos ajustes estudados. “O Tereza Ramos é estadual, com gestão do Município. Todo procedimento feito lá é recebido via Estado, mas tem de haver uma contratualização com a prefeitura. Como somos uma referência, Lages tem de pensar nos cidadãos das outras cidades vizinhas”, pontua a secretária.

Um giro na realidade local e regional

As vistorias de Helton Zeferino aconteceram no Hospital Tereza Ramos, onde estão em andamento as obras de ampliação e nova ala, o maior investimento individual em saúde pública do Governo do Estado, com aporte de mais de R$ 100 milhões. Com 74 anos de existência e mais de seis milhões de atendimentos, o HTR contará com mais 122 leitos (92 de internação e 30 de Unidade de Terapia Intensiva - UTI), serviços de urgência e emergência, centro de diagnóstico por imagens, centro cirúrgico e heliponto.

Zeferino também esteve na 15ª Gerência Regional de Saúde e, por fim, ao 5º Batalhão de Bombeiros Militar (BBM) com verificação da Central de Regulação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). “Viemos conhecer a obra, entre outras que estão em andamento, e estamos agora reorganizando as demandas, dentro daquilo que havíamos imaginado, e retornaremos para fazer a planificação de ativação desta estrutura hospitalar, baseada na capacidade financeira do Estado e no melhor modelo de gestão adequado àquele complexo que está sendo construído. Não temos data para início da operação, pois temos algumas obras que precisam de aditamento de contrato, contudo, esperamos fazer a entrega à comunidade em breve.”

O gestor aproveitou para elucidar as dúvidas em torno dos rumores de que a Gerência Regional de Saúde seria sua sede transferida de Lages. “Nós queremos deixar bem claro que a estrutura de Lages irá permanecer e será mantida, inclusive como Regional. O que temos hoje é uma organização dos fluxos administrativos da Secretaria, a exemplo de direcionamento de documentos e administração de contratos. A população do entorno de Lages, que obviamente acaba sendo encaminhada para a cidade, continuará assistida da mesma forma”, sintetiza Zeferino, justificando, ainda, outro boato, porém, sobre a Central do Samu. “O fato de que esta Central, cuja deliberação ocorreu na Comissão de Gestores Bipartite, em que será centralizada em Florianópolis, mas isto levará algum tempo, não é de imediato. Temos um tempo de desativação e paulatinamente dentro da nossa capacidade técnica.” O secretário de Estado adjunto, André Motta; o vice-prefeito Juliano Polese, e a secretária municipal da Saúde, Odila Waldrich, acompanharam o encontro.

Pacote de R$ 30 milhões para 43 municípios

Na segunda-feira (25 de fevereiro), o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, assinou, em Florianópolis uma portaria de habilitação de uma série de serviços e leitos para 43 municípios, entre os quais a Serra Catarinense será contemplada, de acordo com o secretário de Estado da Saúde, Helton de Souza Zeferino. O montante repassado chega a R$ 30,4 milhões. Houve a entrega inicial de 13 ambulâncias do suporte básico para renovar a frota do Samu dos municípios e mais 13 a serem encaminhadas, suprindo boa parte das cidades com necessidades de recursos, especialmente deste tipo de veículo.  

Texto: Daniele Mendes de Melo - Fotos: Toninho Vieira