A cada ano cresce a preocupação em torno do desperdício e da urgente mudança de hábito na conscientização para o uso racional da maior riqueza da humanidade e do meio ambiente, a água. Todos os cidadãos devem estar imbuídos deste comprometimento. Em Lages, a Semana Mundial da Água começou nesta segunda-feira (18 de março), com a apresentação do Fórum Permanente de Saneamento Básico, uma ação de diferentes instituições envolvendo a iniciativa pública e privada e a sociedade civil organizada, criado para melhorar os índices de saneamento básico e tocar o sinal de alerta da população em relação à melhoria da saúde. Portanto, a Semana da Água constitui-se como a primeira atividade efetiva do Fórum e segue até o próximo sábado (23 de março), com uma série de atividades na programação exposta na galeria de imagens desta matéria.

Na solenidade de abertura da Semana da Água, no Parque Natural Municipal João José Theodoro da Costa Neto (Parnamul), foi proposto um manifesto, em que o Fórum reforça o compromisso de desenvolver ações para melhorar os números de saneamento em Lages. Estiveram presentes guardas mirins do Parque e alunos do curso técnico do Cedup Renato Ramos da Silva.

O compromisso firmado é para o investimento em saneamento básico, pois segundo a pesquisa Esgotamento Sanitário Inadequado e Impactos na Saúde da População, do Instituto Trata Brasil, doenças concernentes a sistemas de água e esgoto inadequados e às deficiências de higiene causam a morte de milhões de pessoas todos os anos, com prevalência nos países de baixa renda. A Organização Mundial da Saúde (OMS), afirma que cada R$ 1 investido em saneamento gera a economia de R$ 4 na área de saúde.

A criação do Fórum Permanente resultou de uma ação conduzida pelo Banco da Família e pela empresa Tigre, com o apoio da Water.org, a partir de um workshop para a co-criação de uma agenda de eventos pela ocasião do Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março. Saneamento básico garantido pela Lei Nacional de Saneamento Básico (LNSB), nº: 11.445, de 2007. A drenagem da água da chuva para evitar enchentes também faz parte. “Em Lages é reconhecida a bela prestação de serviços de fornecimento de água e no saneamento estamos melhorando o atendimento à comunidade. Significa saúde pública e longevidade. Nos próximos dias deveremos chegar a 50%. Amanhã teremos uma reunião com a Caixa Econômica Federal para finalizarmos as obras do Complexo Araucária e manter a continuidade do Complexo Ponte Grande. A prospecção é chegarmos a 75% dos materiais coletados e tratados ao final desta administração. Temos duas Estações (ETEs) no Araucária e uma terceira em construção no Caça e Tiro”, informa o vice-prefeito Juliano Polese, que participou da assinatura dos documentos de oficialização. “Este é um fato marcante principalmente para estes jovens que estão começando sua vida cívica. Um novo momento depende de responsabilidade e cidadania”, pontua a presidente do Banco da Família, Isabel Baggio.

A bióloga da Secretaria de Serviços Públicos e Meio Ambiente, Michelle Pelozato, defende que, “o grupo foi criado para ter uma relação mais forte nas conversas. A ideia é uma agenda de discussão constante e um Fórum anual, além de eventos”. A supervisora de marketing do Banco da Família, Josiane Cabral, lembra que, “as instituições desenvolviam ações isoladas e foi notada a necessidade da junção e da união para afinar as intenções porque juntos a causa se torna ainda mais forte”. Santa Catarina tem 16 comitês e nesta quarta-feira (20), às 13h30min, haverá uma reunião da MidiLages para se discutir o assunto da água pelo Comitê Rio Canoas.

Estão engajados na Semana da Água em Lages os seguintes parceiros em si: Prefeitura de Lages (Secretarias do Meio Ambiente, da Educação e Saúde), Banco da Família, Instituto José Paschoal Baggio (IJPB), Orion Parque Tecnológico, Epagri, Polícia Militar Ambiental, Grupo Voluntários da Alegria, Semasa, Águas do Planalto, Klabin, Cisama, Projeta Ambiental Jr., Udesc, Uniplac, Parque Natural de Lages, Comitê Rio Canoas, Grupo de Escoteiros Heliodoro Muniz e Centro de Controle de Zoonoses.

Lages no caminho de elevar a taxa de coleta e tratamento

Em Lages, 33% do esgoto são coletados, e destes 39% recebem tratamento atualmente, índice acima da média do Estado (21% de esgoto coletados e 27% tratados). Uma pesquisa realizada pelo Banco da Família, com 400 pessoas nos bairros e loteamentos Cristal, Passo Fundo, Várzea, Gralha Azul, Dom Daniel, Santa Clara e Nadir, demonstra que 1,5% da população não possui banheiro, cerca de 50% têm fossa filtro e 84% das residências não contam com caixa d’água.

O município é enriquecido pelo Aquífero Guarani e é privilegiado pela qualidade da água no ponto de captação em virtude da mata ciliar preservada. O próprio Parque possui nascentes, que desembocam no rio Passo Fundo, um afluente do rio Carahá.

Santa Catarina com alta cobertura de água potável, mas baixo tratamento de resíduos

O Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento constata que Santa Catarina possui 87% de abastecimento de água, 21% do esgoto são coletados. Destes, somente 27% recebem tratamento.

Em 31 anos, 40% da população mundial viverão em áreas com pouco acesso à água

A Organização Mundial da Saúde (OMS), levando em consideração dados de 2015, aponta que 633 milhões de pessoas no mundo continuam sem acesso a uma fonte de água potável. De 1990 a 2015, o número de pessoas com água potável aumentou em 6%, de 4 para 6,6 bilhões.

Até 2050, 40% da população mundial viverão em áreas com pouco acesso à água. Do total da população mundial, 13% ainda não possuem acesso a um banheiro. São 2,3 bilhões as pessoas que não dispõem de serviços de saneamento básico.

Água boa para menos 35 milhões no Brasil

Mais de 35 milhões de brasileiros sem abastecimento de água tratada, 50,3% da população do Brasil são atendidos por serviço de coleta de esgoto e apenas 44% do esgoto coletado são tratados antes de serem despejados em corpo hídrico. Mais de quatro milhões de brasileiros não têm acesso a banheiro.

R$ 503 bilhões para universalizar o acesso

De acordo com o Plano Nacional de Saneamento (Plansab), seriam necessários R$ 503 bilhões para universalizar o acesso à água e ao saneamento no país até 2033. O Brasil deixa de gerar benefícios de até R$ 1,2 trilhão com ausência do saneamento básico (Trata Brasil, 2018).

Texto: Daniele Mendes de Melo - Fotos: Toninho Vieira