Aos 27 anos, a paratleta olímpica e web designer da NDD, Fernanda Souza Ribeiro é um exemplo de superação de desafios. Hoje, compete na Natação pelo time Leoas da Serra e mostra que qualquer dificuldade pode ser superada com dedicação e alegria

 

Foi no ano de 2011 que Fernanda se juntou à NDD e, coincidentemente, participou de sua primeira competição de natação. Seu interesse pela prática teve início por recomendação médica: por conta de sua lesão medular, foi indicada pelos médicos a praticar a natação por conta dos diversos benefícios, como fortalecimento, equilíbrio e qualidade de vida. Durante os tratamentos no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília, foi quando recebeu a sugestão. “Disseram que eu tinha que seguir na natação porque eu levava jeito, aí começaram a me dar umas aulas lá, quando eu ia uma vez por ano”, relembra. Natural de São Joaquim, se mudou para Lages em 2010 para fazer faculdade. “Uma associação de deficientes físicos me convidou para começar a treinar natação para competir, topei na hora. Já conhecia e gostava do esporte”.

 

Desde agosto de 2011, quando participou da primeira competição, não parou mais. Os treinos começaram a aumentar, Fernanda se profissionalizou e seus resultados melhoraram. “Comecei com dois treinos por semana e hoje já faço nove, já é outro nível, estou no nível nacional. Melhorou bastante”.

 

A rotina de treinos da atleta é intensa. “Na segunda-feira faço um treino na piscina, na terça e na quinta dois treinos na piscina, manhã e noite. Na quarta faço um treino na piscina e um de academia, para preparação física. Na sexta também tenho natação e academia”.

 

A lesão de Fernanda ocorreu no parto: nasceu prematura de seis meses e por conta disso sofreu uma parada respiratória que atingiu a medula. Para realizar atividades físicas, iniciou a natação com oito anos de idade, mas praticava muito pouco. Foi só na vida adulta que o esporte virou paixão e profissão, além de melhorar e fazer parte da sua qualidade de vida.

Fernanda já participou de campeonatos fora do país, na Argentina e também em todo o Brasil, em estados como Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba. Todo ano participa de etapas classificatórias nos estados do Sul. Para este ano já tem cinco competições confirmadas e para o ano que vem tenta uma vaga no Sul-Americano mais uma vez.

 

Uma Leoa das piscinas

 

Neste ano, Fernanda se junta às Leoas da Serra, graças a uma alteração estatutária que permitiu a inclusão. “Ano passado, minha treinadora e também presidente da Associação das Leoas, Geane Ferreira me fez o convite, então começamos a fazer os ajustes necessários na documentação da associação para que contemplasse o esporte paralímpico”.

No dia 08 de março veio a resposta positiva do Comitê Paralímpico, possibilitando a Associação a fazer a filiação. “Estou muito contente pela oportunidade em representar esta equipe que me apoia tanto”, conta.

 

Adversidades não são empecilho

 

Apesar do dia-a-dia intenso, que concilia a prática dos esportes com o trabalho na NDD, sua principal dificuldade envolvendo a modalidade é na parte de apoio de outras empresas e patrocinadores. “Cada competição que eu vou preciso ir atrás para conseguir valores para passagem e hospedagem. Não tenho nada fixo, cada competição eu corro atrás para conseguir cobrir as despesas”. A NDD faz parte do auxílio nas competições. “A empresa me apoia com os horários flexíveis para treinar, já que o volume de treino é bem grande. Se não fossem os horários eu não conseguiria. Além disso também me ajudaram em algumas competições, o que é fundamental”.

 

Na visão de muitos, a deficiência é um fator que pode interromper muitas atividades. A realidade de Fernanda, no entanto, não é essa. “Muito pelo contrário. A natação me move, chego dentro da piscina e não tenho cadeira de rodas, consigo andar dentro da água, só coisa boa. Não limita em nada”. Segundo ela, nas competições paralímpicas existem muitos deficientes que começaram por recomendação médica ou por reabilitação. “O esporte ensina muito, a qualidade de vida também. Conheci muitas pessoas e a natação me fez muito bem, tanto para a minha lesão quanto para a vida. Ver todo o treino que a gente faz, chegar na competição e ter um resultado, ver essa recompensa, é muito bom”, enfatiza Fernanda.

Nenhuma adversidade chegou perto de derrubar a atleta. “Quando você quer alguma coisa não é uma cadeira de rodas que vai impedir. Se quer fazer, vai lá e faz, não fica se prendendo em conseguir ou não conseguir. Você consegue. Eu dou jeito pra tudo, basta querer. Às vezes a pessoa não tem deficiência nenhuma e se pergunta se vai conseguir. Claro que consegue. É só querer. Bota na cabeça que faz. É tudo sobre a vontade”, finaliza.

 

As Leoas da Serra estão proporcionando a venda da camiseta oficial da equipe que irá para o Mundial, modelo exclusivo da Natação. O valor arrecadado irá custear as despesas com transporte, alimentação e hospedagem nas viagens para as três etapas nacionais de São Paulo. Quem tiver interesse em apoiar a Fernanda com as camisetas poderá adquirir até 5 de maio no valor de R$90 reais. Contato: (49) 9 9967 8703

Texto: João Vitor Marcelino - Foto: NDD/Acervo Atleta