A reunião está agendada para o dia 17 de maio, às 19h, no Teatro Municipal Marajoara.

A Câmara de Vereadores de Lages promove no dia 17 de maio uma audiência pública para debater o manejo de corte da Araucária. A reunião tem início às 19h, no Teatro Municipal Marajoara, e é aberto ao público, que terá espaço para se manifestar na sessão mediante prévia inscrição. A proposta é uma iniciativa do presidente do Legislativo Municipal, Vone Scheuermann (MDB), que teve aprovado por unanimidade o requerimento 085/2019.

O evento tem como objetivo reunir representantes da sociedade civil organizada, autoridades politicas, empresários, professores e técnicos da área em busca de um aperfeiçoamento da legislação que permita o cultivo e o manejo sustentável da espécie Araucária Augustifolia em todo o país, bem como de outros florestas nativas.

O assunto em pauta tem sido motivo de estudos científicos os quais demonstraram que o cultivo e o manejo sustentável da espécie estaria diretamente ligado ao combate da extinção da árvore. 

Avaliação dos especialistas

Ao longo do mês de abril, a equipe da TV Câmara acompanhou o engenheiro florestal Nilton Schneider até diversas localidades da região serrana para conhecer propriedades onde há o cultivo da Araucária Angustifolia. Em Ermida, interior de São José do Cerrito-SC, existe um cultivo de aproximadamente 4.500 espécies, com sementes, vindas de Ponte Alta e Campo Belo do Sul, plantadas em 2006.

Na ocasião, o engenheiro se espantou com a rapidez com que a espécie está se desenvolvendo e afirmou que, nos dias de hoje, ainda é possível fazer o manejo da araucária. “O manejo sustentável possibilita uma floresta de melhor qualidade permitindo que outras espécies se desenvolvam e garante condições de crescimento da floresta ali plantada”, frisou Schneider.

Ele é autor de um estudo que comprova que a Região Serrana possui 36,2 árvores nativas e acima de 40 centímetros de diâmetro por hectare. “Existe a Portaria Institucional Ibama 001/96, que permite o manejo florestal sustentável de 40% da floresta com árvores nessas condições. Nessa situação, por exemplo, se extrairmos 12 árvores, ainda sobrará muitas árvores porta-sementes e aquelas menores”, observou.

Em outra visita, na localidade de Farofa, interior do município de Painel, que possui mais de 84 hectares de pinheiros plantados, o engenheiro florestal e professor do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), André Hess, explicou que nesse espaço a floresta está num regime de estagnação, de diminuição do crescimento e que o resultado disso são árvores em competição com uma alta densidade.

“Aqui podemos ver mais de 300 indivíduos por hectare crescendo num espaço reduzido, o que prejudica a formação da copa, a produção de pinhão e a estrutura diamétrica futura dessa floresta” detalhou o engenheiro, que completou: “também ocorre outras características como a perda de diversidade de espécies e da regeneração natural,”.

Hess também é autor, juntamente com outros professores do CAV, de estudos científicos que demonstram a necessidade do manejo da araucária. Estes estudos foram apresentados em 2016 ao Governo do Estado reivindicando apoio para aperfeiçoar a legislação acerca do assunto. Agora, através da audiência pública, se pretende debater o assunto e buscar esforços conjuntos de técnicos e autoridades políticas para a legalidade constitucional do manejo de corte da araucária. 

Manejo 

O manejo florestal sustentável é um modelo que permite a exploração racional com técnicas de mínimo impacto ambiental sobre os elementos da natureza. Uma floresta manejada continuará oferecendo suas riquezas para as gerações futuras, pois a madeira e seus outros produtos são recursos renováveis.

Assessoria de Imprensa da Câmara de Lages