Depois de ter conquistado o 1º lugar nacional em concorrência com 320 projetos de todo o Brasil em 2017, Lages avançou mais um degrau na luta pela conscientização e mudança de hábitos na comunidade em que o Projeto Lixo Orgânico Zero, executado pela parceria entre a Prefeitura de Lages, por intermédio da Secretaria de Serviços Públicos e Meio Ambiente, e o Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), é o carro-chefe das atividades.

Com a vitória àquela época, Lages garantiu o direito de receber R$ 952.034 divididos em três parcelas, a primeira, de R$ 477 mil foi aplicada na aquisição de sete bicicletas elétricas, três triciclos elétricos, uma caminhoneta Fiat Strada Hard Working, e um triturador de resíduos de podas, este último instalado no Horto Municipal do bairro Várzea, bem como equipamentos de segurança dos bolsistas, materiais de jardinagem, camisetas de identificação e banner. A contrapartida é de R$ 33 mil da prefeitura. O Termo de Cessão de Uso nº: 03/2019 foi assinado na tarde desta terça-feira (28 de maio), em cerimônia na Direção do CAV.

Ao todo serão 24 meses de execução, porém, ainda há 18 meses pela frente. Os veículos de pedais servirão para os estudantes se dirigirem às escolas e bairros mais distantes. Na carroceria da pick-up serão levados materiais para a compostagem de resíduos orgânicos domésticos nas escolas, como serragens, gramas e folhas picadas.

Os recursos são provenientes do Fundo Socioambiental da Caixa Econômica Federal (FSA CEF) e do Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA)/Ministério do Meio Ambiente e além dos equipamentos, irão bancar os 25 bolsistas dos cursos de graduação do CAV, como Agronomia, Medicina Veterinária, Engenharia Ambiental e Sanitária. Todo ano, a Caixa reserva 2% do seu lucro líquido para custear projetos socioambientais. Lages concorreu com 320 projetos e hoje em dia 11 estão em desenvolvimento no país e em Santa Catarina estão em atividade em Lages, Florianópolis e Rancho Queimado.

O Projeto Lixo Orgânico Zero nasceu há aproximadamente 15 anos focado na Mini Compostagem Ecológica (MCE), como um projeto de extensão do CAV, portanto, abrange a comunidade, com aplicabilidade no dia a dia das pessoas através dos preceitos técnicos da academia. A iniciativa está dirigida a escolas e famílias, às quais são multiplicados os conceitos e métodos de compostagem para disseminação da prática. No final de 2013 havia 80 hortas implantadas nas escolas. “A natureza é o nosso bem maior. Preservar é um compromisso estendido a todo cidadão, desde criança, para que seja um adulto comprometido com o meio ambiente. O Poder Público contribui para ensinar, mas o costume deve ser comum e coletivo. Fazer de Lages uma cidade mais bonita e conservada”, analisa o prefeito Antonio Ceron.

Ensino para o futuro

Orientações técnicas são prestadas e visitas a instituições de ensino e empresas, Centros de Referência de Assistência Social (Cras’s), presídios e Casa de Semi-Liberdade. A proposta é orientar as pessoas na prevenção de que a matéria orgânica não seja destinada ao aterro sanitário, mas seja aproveitada como adubo para novos alimentos, num ciclo de preservação da natureza. Anualmente, a prefeitura investe entre R$ 4 e R$ 5 milhões em coleta, transporte e tratamento do lixo orgânico na transformação no chorume. Da quantidade de lixo doméstico produzido, em torno de 50% são compostos por matéria orgânica, e a Lei nº: 12.305 aborda a compostagem como uma forma adequada para a sua destinação. O objetivo é ampliar o uso do método da compostagem em 40%, incentivar a reciclagem dos materiais secos, ampliando a coleta seletiva e diminuindo a quantidade de materiais a serem encaminhados ao aterro sanitário e, desta forma, possibilitar a redução de custos ao Município.

Na primeira etapa do Projeto, entre 2013 e 2015, 86% das escolas públicas municipais e estaduais foram abrangidas com as informações. Atualmente está em desenvolvimento em 43 escolas, envolvendo de 35 a 40 mil alunos. A meta são 109 no segundo semestre deste ano.

Os coordenadores do Projeto Lixo Orgânico Zero são a diretora de Meio Ambiente, Silvia Oliveira, e o professor no curso de agronomia, Germano Güttler. “O trabalho não deve parar nunca, precisamos renovar a missão a cada dia. Nosso papel não se limita a somente jogar o lixo na lixeira, retirar a sacola para fora e deixar que o caminhão leve. É mais que isto, é assumir responsabilidades. O lixo deve ser separado dentro de casa, boas atitudes que se repetem na rotina se tornam fixas. Os resíduos orgânicos (cascas de frutas e de legumes) e restos de hortaliças podem ser devolvidos a terra, enriquecê-la e produzir novos alimentos pensando na qualidade de vida das próximas gerações”, salienta a coordenadora do Projeto, a diretora de Meio Ambiente, Silvia Oliveira. A prefeitura de Lages participou do edital de compostagem nº: 01/2017, visando ao apoio a projetos de compostagem nos termos das normas definidas e divulgadas pelo FNMA e do Fundo Socioambiental da Caixa, assegurando aporte financeiro para a retomada do desenvolvimento do Projeto Lixo Orgânico Zero nas escolas da cidade. Compareceram à solenidade o vice-prefeito, Juliano Polese; secretário de Serviços Públicos e Meio Ambeinte, Eroni Delfes Rodrigues; diretor geral do CAV/Udesc, Clóvis Gewehr, e o  gerente geral da Caixa em Lages, Tommy Pretto.

Texto: Daniele Mendes de Melo - Fotos: Toninho Vieira e Nathália Lima