Um trabalho de alunos de graduação e pós-graduação do Centro de Ciências Agroveterinárias (CAV), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) em Lages, foi premiado no 4º Encontro Regional Sul de Arborização Urbana (Ersau) e 1º Fórum Paranaense de Arborização Urbana (Forparb).

O evento aconteceu em Dois Vizinhos, no Paraná, de 24 a 27 de abril. O trabalho dos estudantes foi premiado com o terceiro lugar na categoria "Paisagismo e áreas verdes urbanas".

O estudo traça um diagnóstico de plantas com potencial tóxico para cães e gatos, existentes na praça entre a avenida Duque de Caxias e a Rua Hercílio Granzotto, no Bairro Conta Dinheiro, em Lages. "O trabalho serve de respaldo para a conscientização da população e, também, da Prefeitura em usar essas plantas nas praças e parques urbanos", fala o mestrando em Engenharia Florestal, Gabriel Mancini da Silva.

Gabriel é um dos autores do trabalho, executado em conjunto com o acadêmico em Engenharia Florestal, Flavio Henrique Alves, e o mestrando em Ciência Animal, Natã Godinho, todos da Udesc Lages. O estudo também teve a participação da graduanda em Medicina Veterinária, Vitória Olivo, do Centro Universitário Barriga Verde (Unibave), em Orleans - SC.

As orientadoras foram as professoras Maria Raquel Kanieski, do Departamento de Engenharia Florestal da Udesc Lages, e Flávia Brun, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Dois Vizinhos - PR.

Quatro espécies têm potencial tóxico

Das 14 espécies encontradas na praça, quatro foram consideradas com potencial tóxico para pequenos animais: Ligustrum lucidum, conhecido pelo nome popular de ligustro, é muito usado em arborização urbana; Nerium oleander, popularmente conhecida como espirradeira, está entre os arbustos mais cultivados para o embelezamento público; Rhododendron simsii, chamada de azaleia, é muito comum em canteiros públicos, parques e praças; e Hydrangea macrophylla, conhecida pelos nomes de hortênsia ou novelão, também muito comum para ornamentação.

"Podem haver mais plantas tóxicas dentre essas. Porém, são necessárias mais pesquisas, haja vista que só incluímos as espécies nas quais encontramos algum sintoma em específico ou componente químico", esclarece o mestrando Gabriel Mancini da Silva.

Riscos para pessoas e animais

De acordo com o estudo, a ingestão da azaleia pode causar salivação, cólicas e, em casos mais graves, paralisia respiratória. A espirradeira é uma das espécies mais agressivas, pois o princípio ativo contido na planta atinge o sistema cardiovascular, necessitando de drogas antiarrítmicas para tratamento. Não foram encontrados relatos de intoxicação natural em cães e gatos pela hortênsia, no entanto, o trabalho relata que há potencial tóxico dessa espécie.

Já o ligustro produz frutos tóxicos aos animais e aos seres humanos que, ao serem ingeridos, podem causar diversos sintomas, incluindo vômito, diarreia, dor abdominal, queda da pressão arterial e fraqueza. O contato do pólen com anticorpos específicos na mucosa epitelial pode desenvolver a polinose, levando a manifestações clínicas e oculares.

O trabalho sugere a substituição das plantas tóxicas aos pequenos animais por outras que não possuam princípios tóxicos e, também, a implementação de um programa de educação ambiental e extensão urbana, voltado para explicar para a população sobre os riscos dessas plantas, tanto para as pessoas quanto para animais de companhia.

 

Assessoria de Comunicação da Udesc Lages