Tal como imaginado, a audiência pública da Câmara de Vereadores de Lages sobre a coleta de lixo na cidade, realizada na noite de 12 de setembro, apontou as situações que têm incomodado à população, aquilo que o poder público tem feito a respeito e uma projeção do que virá pela frente como forma de aprimorar este serviço no município.

Em suma, a necessidade de mais campanhas de conscientização e o foco na Educação Ambiental nas escolas e universidade para que a população cumpra o papel que lhe cabe em relação à separação e destinação do lixo, e a adoção de medidas que minimizem a proliferação destes materiais, especialmente na região central de Lages, como a disponibilização de contêineres para a separação do lixo reciclável, eletrônico, entre outros. Também o fortalecimento de programas como Lixo Orgânico Zero, para que o material orgânico tenha uma destinação limpa, barata e sustentável.

Proponente da sessão, o vereador Jean Pierre Ezequiel (PSD) apresentou uma série de fotos cedidas pela fiscalização do município a respeito da falta da destinação correta do lixo em Lages e fez uma série de perguntas em relação aos horários de recolhimento do lixo, os pontos mais críticos, se há orientação aos lojistas do centro, etc. “O objetivo de uma audiência pública é este mesmo, ouvir o que está acontecendo, transmitir a informação e alertar também a população sobre a responsabilidade para com o lixo que ela produz”, comenta Jean.

População opina sobre o assunto

Cinco pessoas da comunidade fizeram uso da palavra na sessão. Francisco Biazotto disse que a audiência era de grande importância, já que se trata de um assunto universal, do interesse de todos. No entendimento dele, a Prefeitura teria a obrigação de recolher todo o lixo, uma vez que recebem impostos para este fim.

Para o motorista da Prefeitura em caminhão que faz a coleta no Centro, Elieverson Vicenzi, o que falta é informação às pessoas, parceria para fazer a coisa certa e mesmo educação por parte dos comerciantes e moradores de área central. “Fazemos toda a limpeza e depois de 10, 15 minutos, está sujo de novo, com sacos de lixo pelo chão. (...) Falta um pouco de conscientização”, afirma.

Élvio da Silva reclama da falta de líderes comunitários na sessão e também da depredação com as lixeiras da cidade. Também cobra mais responsabilidade para quem é proprietário de cães, que, segundo ele, são criados soltos e “avançam” sobre os garis. Ainda nesta questão animal, fala que os animais não têm culpa por rasgar os sacos de lixo em busca de alimento, segundo ele, o problema é a população que mistura os lixos e não acondiciona o material orgânico da maneira correta.

Uma das coordenadoras do projeto Lixo Orgânico Zero, Silvia Oliveira, destacou que o “método Lages” de compostagem é uma iniciativa de sucesso e que está sendo implementado afora dos limites do município, como em Chapecó, por exemplo. Ampliar esta medida ajudaria a resolver parte dos problemas na opinião dela, além de ter mais incentivos para as cooperativas de coleta seletiva.

Abel Varela trabalho na área em outros tempos e aponta que a situação melhorou bastante, principalmente com a eliminação do lixão, estrutura e equipamentos disponíveis. Ele acredita que o salto para a questão passa pela educação ambiental, “antes educar do que punir, porque só punição não resolve”.

O envolvimento de todos é fundamental para solucionar esta questão

Para o secretário de Serviços Públicos e Meio Ambiente, Eroni Delfes Rodrigues, a Prefeitura tem o dever de realizar este serviço, entretanto, acredita que se a população deixar tudo a cargo da administração, a situação fica inviável. “O poder público não tem capacidade de dar conta de tudo isso. A obrigação não é só do município, é de cada um”, argumenta. Ele sugeriu que a Câmara de Vereadores apresente uma proposta para incluir a Educação Ambiental na base curricular das escolas de Lages. “Sem Meio Ambiente não há vida”, conclui.

Diretor de Resíduos Sólidos da Secretaria de Águas e Saneamento (Semasa), Milton Matias explicou que a coleta, transporte e destinação do lixo em Lages é uma atribuição da Serrana Engenharia, empresa que tem a concessão para tal trabalho. Na área rural esta função é da Secretaria do Meio Ambiente. Os recicláveis são com a Cooperlages e o lixo eletrônico com a Centro Sul Reciclagem Digital Ltda. A Prefeitura paga mensalmente pelos serviços, que, no entendimento dele, poderiam ser mais claros à população em relação ao funcionamento.

Uma das ideias da pasta para o aprimoramento da coleta é a instalação de quatro a oito ecopontos para a entrega voluntária ou prévio agendamento para o recolhimento dos itens maiores, além de Pontos de Entrega Voluntária (P.E.V’s), segundo Matias, a conscientição visual mais agressiva pode trazer resultados eficientes neste aspecto. Outro projeto que deve ter início é a distribuição de sacolas retornáveis específicas para cada lixo à população, em uma parceria com a empresa Klabin, que deve ainda empreender técnicos para visitação e conscientização aos moradores sobre a importância da destinação correta dos resíduos. Por fim, o diretor sugeriu a criação de uma comissão ou comitê entre as diversas partes envolvidas para alinhas problemas e soluções para a demanda.

Gerente na pasta do Meio Ambiente e responsável pela equipe que faz a varrição no Centro, Vilson Ricardo da Silva afirma que falta conscientização, principalmente para os lojistas. “Nos bairros isso não acontece, mas no Centro é o dia todo depositando sacos de lixo no chão”, reclama. Outro ponto criticado por Silva é o vandalismo, são uma ou duas quebradas todos os dias, segundo ele. A solução passa pela educação ambiental nas escolas, sendo um tema aprofundado nas instituições de ensino e que os alunos possam levar esta consciência também para seus familiares.

A classe dos comerciantes também foi representada pelo vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Zulmiro Klan. Ele entende que boa parte dos lojistas é consciente, mas afirma que a entidade é disposta a auxiliar aqueles que não têm feito sua parte para a organização do lixo. No entanto, Klan acredita que o sistema para a coleta poderia ser aprimorado. Ele citou o exemplo dos contêineres para separação em orgânicos e recicláveis, presentes em Joaçaba, por exemplo. “Lá não se vê saco de lixo na rua, tem o lugar certo onde as pessoas depositam lixo. (...) Atualmente, entre o horário de fechamento do comércio, até o caminhão passar, o turista vai ver o lixo no chão”.

Fotos: Deise Ribeiro / Nilton Wolff (Câmara de Lages) - Texto: Everton Gregório - Jornalista