Resultados saem depois de 10 a 30 minutos, e só poderão ser feitos com o acompanhamento de um profissional.

Farmácias e drogarias poderão realizar testes rápidos para o novo coronavírus no Brasil. A decisão é da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e foi anunciada nesta terça-feira (28). Com isso, os exames deixam de ser feitos de forma exclusiva por hospitais e clínicas.

O que são os testes rápidos?

São exames que detectam se o paciente adquiriu anticorpos para o vírus. Eles são feitos com uma picada no dedo da pessoa que vai ser testada ou com uma coleta tradicional de sangue em laboratório. A amostra vai para um pequeno dispositivo, semelhante a alguns dos tipos de testes de gravidez ou de glicemia.

 

Em um intervalo que varia de 10 a 30 minutos, o aparelho mostra se a pessoa tem anticorpos para o vírus. Esses anticorpos são produzidos pelo próprio corpo para se defender da doença: se a pessoa tem, significa que ela já foi infectada.

Qual a diferença entre testes moleculares (rRT-PCR) e testes rápidos?

As principais diferenças estão no material coletado, no tipo de análise e no tempo que o resultado leva para sair. No teste molecular, mais conhecido como rRT-PCR, a coleta é com um cotonete, colocado na boca e no nariz da pessoa que vai ser testada. A amostra é processada em laboratórios.

Tecnicamente o resultado pode ser obtido em 4 horas, mas durante a pandemia pode demorar até 7 dias por causa de gargalos nos laboratórios. Esse tipo de exame é o mais indicado para diagnosticar a Covid-19, porque consegue detectar o vírus logo no começo da doença. A chance de um falso negativo também é menor.

No teste rápido, a coleta é feita de forma semelhante à medição de glicose, com uma picada no dedo e coleta de uma amostra de sangue. Ele leva de 10 a 30 minutos para mostrar o resultado, e é indicado apenas em pessoas que apresentam sintomas há pelo menos 7 dias. Esse tipo de exame mostra se a pessoa testada tem anticorpos para o vírus.

“Quando eu falo do teste rápido, é outra avaliação. Estou avaliando a dosagem de anticorpos. Não vejo (detecto) mais o vírus, mas o anticorpo, que é a primeira arma do corpo contra o vírus”, afirma o médico infectologista Jean Gorinchteyn.

O teste rápido substitui outros tipos de exame?

Os testes rápidos não têm finalidade confirmatória, e servem como um auxílio no diagnóstico da Covid-19. Ou seja, mesmo que o resultado do teste rápido seja positivo, o paciente não será automaticamente diagnosticado como caso confirmado. O mesmo vale para um possível resultado negativo.

Isso acontece porque, no estágio inicial da infecção, falsos negativos são esperados, porque o nível de anticorpos pode ser muito baixo. De acordo com o infectologista e epidemiologista Antonio Bandeira, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), \"quanto mais tempo passar desde o início dos sintomas, maior será a chance de ficar positivo o teste rápido\".

\"Esses testes rápidos a gente não tem segurança neles. Há uma variação entre diversos fabricantes. A aprovação deles foi feita de forma emergencial, com uma quantidade baixa de número de amostras. Eles indicam a produção de anticorpos, ou seja, no primeiro dia até o 8º dia, esses testes não são apropriados para mostrar nada. Eles devem ficar negativos no início, porque a pessoa não tem anticorpos suficientes contra a doença\", explicou o infectologista.

Segundo Bandeira, esse tipo de teste não substitui o teste PCR, que consegue detectar o agente da doença e é mais seguro.

Existe um período ideal para fazer o teste rápido de farmácia?

A Anvisa recomenda que o teste rápido seja feito pelo menos 7 dias após o início dos sintomas. Antonio Bandeira avalia que a partir do 8º é mais seguro e, quanto mais tarde, maior a chance de dar um resultado confiável positivo.

O Ministério da Saúde recomenda como ideal o período entre o 10º e o 14º dia 

 

Por André Paixão e Carolina Dantas, G1