Pesquisa chinesa e americana conseguiu mostrar a evolução, transmissão entre espécies e o possível responsável pela chegada do Sars CoV-2 aos humanos.

Uma parceria internacional entre cientistas realizou uma análise sobre a relação entre os coronavírus e os morcegos. No trabalho, o grupo analisa as sequências genéticas de 781 vírus da mesma família do Sars CoV-2. Segundo a revista \"Science\", mais de 30% deles não estavam descritos ainda na literatura.

A partir do estudo, os pesquisadores apontam que a hipótese principal é que o novo coronavírus seja derivado de um grupo de vírus originários de morcegos-ferradura.

 

Isso porque, de acordo com os pesquisadores, há uma forte suspeita de que os morcegos sejam os responsáveis pela transmissão do coronavírus para os seres humanos - tanto no caso do Sars CoV-1, em 2002, quanto agora com o Sars CoV-2 causador da pandemia de 2020. Eles seriam uma espécie de \"reservatório\" da doença em constante transmissão.

A evolução e a diversidade da família coronavírus, no entanto, ainda não foi totalmente desvendada. Com análise estatística, mais a genética de todos os morcegos conhecidos até o momento e as centenas de amostras dos vírus, os pesquisadores tentaram ampliar o que sabemos sobre a transmissão entre espécies e a dispersão na China.

Eles não conseguiram confirmar a origem do Sars CoV-2. Entretanto, descobriram que há uma troca genética maior entre a família Rhinolophidae e, como meio crucial para a evolução da família coronavírus, está o gênero Rhinolophus.

Em entrevista à \"Science\", o autor do estudo, Peter Daszak, disse que \"parece que, por pura má sorte filogeográfica, histórica e evolutiva, os Rhinolophus acabam sendo o principal reservatório de coronavírus relacionados à Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave)\"

\"Em nossa análise filogenética, que inclui todos os coronavírus de morcegos conhecidos da China, descobrimos que o Sars CoV-2 é provavelmente derivado de um grupo de vírus originários de morcegos-ferradura (Rhinolophus spp.). A localização geográfica parece ser a província de Wuhan\".

Junto à Daszk, outros 14 cientistas assinam o estudo. Entre eles, está a pesquisadora Shi Zheng-Li, especialista em morcegos pelo Instituo de Virologia de Wuhan. Foi ela que recebeu a primeira ligação do diretor do instituto chinês, ainda em dezembro, para contar que um novo vírus havia sido detectado em dois pacientes. Foi o início do que seria a pandemia de hoje.

Por Carolina Dantas, G1