Publicamos a seguir o editorial da Revista Visão- Edição de Janeiro de 2012. Vale a pena refletir sobre isso, especialmente em ano de eleições municipais. Confiram....

LAGES TEM 50 MIL MISERÁVEIS. O QUE FAZER?

O Secretário de Estado da Assistência Social, Trabalho e Habitação, Serafim Venzon, esteve em Lages no dia 13 de dezembro. Em encontro com empresários e lideranças, na ACIL, ele trouxe alguns números estarrecedores sobre nossa realidade. Os números constam no relatório Santa Catarina Sem Miséria – um plano de ações daquela secretaria para tentar estancar a miséria no Estado.  Segundo ele, Santa Catarina é um dos estados que tem o menor número de miseráveis entre os 27 estados do Brasil. Mas mesmo assim o número de pessoas que sobrevivem em situação de extrema pobreza, vivendo com renda de   até R$ 70,00 por mês,  é assustador e chega a 102.672 catarinenses (destes, 3.421 vivem em Lages). O dado mais triste sobre Lages, no entanto, veio em seguida. Venzon informou que na “Princesa da Serra”, existem nada menos do que 13.759 famílias vivendo com renda per capita de até meio salário mínimo mensal (o equivalente a R$ 272,50). Se para cada uma dessas  famílias que vivem em situação de insegurança alimentar moderada a grave existirem uma média de 3,5 pessoas, ao todo serão 48.156 lageanos vivendo em situação de miserabilidade. Ou seja, dos pouco mais de 156 mil lageanos, quase um terço é obrigado a viver com  renda mensal de apenas R$ 272,50. GASTAR BEM O DINHEIRO SERIA OBRIGAÇÃO Diante desta realidade – em uma cidade onde 6.499 famílias recebem o Bolsa Família do Governo Federal (uma pequena ajuda mensal para as pessoas comprarem alguma comida e não morrerem de fome), um grupo de funcionários da Prefeitura “surrupiarem” quase R$ 1 milhão dos cofres públicos – ou então gastar mais de R$ 4 milhões por ano com a Festa Nacional do Pinhão – um vereador ou secretário municipal receber a “mereca” mensal de R$ 7 mil - nos parece um absurdo e despropósito.   Mais absurdo ainda é  existirem 70 empresas querendo terreno da Prefeitura para ampliar seus negócios na cidade – gerando emprego e renda – e terem de esperar por anos na  fila   sem saber se um dia serão atendidos. Se querem transformar de verdade a cidade de Lages, deve-se gerar  empregos (e elevar a renda média da  população). Por que – por exemplo – a  Prefeitura e o Governo do Estado não poderiam criar frentes específicas de trabalho para enfrentar de frente essa  gravíssima questão? Fazer ou refazer todas as calçadas públicas da cidade – por exemplo – poderia gerar centenas de empregos. Fazer calçamento de Lages até a Coxilha Rica – em várias frentes de trabalho – renderia outras centenas. E ajudar nossas empresas  a se desenvolver renderia outros milhares. MAS...  O QUE ELES FAZEM? Ao invés disso, no verão a Prefeitura trabalha em meio expediente. As obras começam e não são concluídas. E durante quase seis meses do ano, sem qualquer participação do cidadão e de suas entidades organizadas, só se fala, se gasta e se pensa na próxima Festa Nacional do Pinhão.  E, o que é muito pior. Não se admite que alguém pense ou fale mal da Prefeitura (e  as retaliações financeiras são rotina para quem ousar “furar” o bloqueio). Embora um tanto míope e “esgualepado”, o Ozóide, aqui da Revista Visão, assim pensa. E vocês? O que acham desses números e desta triste realidade?